quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A cultura da virgindade feminina

Fala-se muito em "virgindade". Quando eu era criança, ouvi muitas vezes que o "correto" seria chegar "virgem" ao casamento. Não demorou muito para topar com as lendas acerca da "virgindade" feminina: "a virgindade é uma membrana na vagina", "o homem consegue perceber se a mulher é virgem ou não", "virgem não pode usar absorvente interno", etc.

Mas afinal, o que é ser "virgem"?

Oficialmente, virgem é qualquer pessoa que não teve relações sexuais. E o que são relações sexuais?

  • Se você fizer sexo oral em alguém, ou seja, se você chupar a genitália de outra pessoa, você estará fazendo sexo? Sim, estará.  
  • Se você receber sexo oral, ou seja, se alguém chupar sua genitália, você estará fazendo sexo? Sim, estará.
  • Se você fizer sexo anal ou vaginal, estará fazendo sexo? Sim, estará.
  • Se você praticar masturbação mútua com alguém, estará fazendo sexo? Sim, estará.


Então por que cargas d'água a gente ouve que a menina "perde" a virgindade com a ruptura do hímen? Quer dizer então que se, na primeira relação, um rapaz penetrar um ânus e não uma vagina, então ele continuará virgem? Um rapaz homossexual então seria virgem para sempre por jamais penetrar uma vagina? 

Acontece que a etimologia da palavra virgem já é relativa à mulher. Segundo texto do site Wikipedia:
 
A palavra virgem tem origem no latim, na forma substantiva virgo, genitivo virgin-is, que significa "mulher jovem" ou "menina". A palavra latina provavelmente surgiu por analogia com um naipe de lexema baseado em vireo, significando "ser verde, fresca ou florescente", principalmente com referência botânico - em particular, virga significando "tira de madeira"

O conceito de virgindade é bastante rígido para as mulheres na maioria das culturas. Entende-se por virgindade a presença do hímen na vagina. Ainda hoje, muitas garotas praticam sexo anal e oral para manter a "virgindade" da vagina, e existe até a possibilidade de restauração do hímen através de cirurgia.

Por causa dessa tão preciosa membrana, evita-se fazer exames em jovens que ainda não fizeram sexo vaginal. Um dos exemplos mais fortes dessa mentalidade é a questão do exame de papanicolau. Então se a mulher nunca fizer sexo vaginal, jamais precisará fazer o exame? Não, isso não é verdade.

Parece que o hímen é algum tipo de oferenda exclusiva para o pênis. Meninas não podem introduzir os dedos na vagina para conhecerem o próprio corpo nem usar sex toys, porque pode romper o hímen. Há medo até de utilizar coletores menstruais e absorventes internos. Ou seja, o hímen só pode ser rompido por um pênis na primeira relação sexual. Qualquer outra possibilidade de ruptura, ainda que seja um procedimento médico, deve ser evitada em nome dessa tradição.

Homens começaram a ficar obcecados com a "virgindade" feminina devido à busca pela certeza de que a mulher não estava grávida de outro homem. Como não era possível ter certeza da paternidade há cinco mil anos, os homens passaram a aprisionar as mulheres, e o hímen passou a ser visto como uma espécie de lacre do corpo feminino. Se nunca foi "usada", ainda está lá. Todo mundo já ouviu alguma história de horror sobre homens que devolveram suas esposas por não terem sangrado na lua de mel. Era como se essas mulheres fossem mercadorias adquiridas com defeito.

Todo esse histórico de obsessão pelo hímen é tão cruel e injusto que não consigo encontrar nada de positivo na cultura da virgindade. Sempre ouço falar sobre homens dispostos a pagar pequenas fortunas pelo hímen duma garota, e minha única conclusão é de que nós somos vistas como um carro, que se for zero vale mais.

Imagem encontrada no site Aum Magic
Nem é verdade que o homem percebe a ruptura do hímen porque é uma membrana super delicada. A maioria deles associa a primeira penetração da vagina duma moça com o sangramento, o que é um tremendo equívoco. Não é toda garota que sangra na primeira penetração, mesmo porque nem sempre o hímen é rompido. Muitas vezes só acontece um alargamento do orifício. Fora que podem ocorrer sangramentos por diversas razões durante a penetração, tanto da vagina como do ânus.

A verdade é que a cobrança da presença do hímen é só mais uma das muitas formas de reprimir a sexualidade feminina, e precisamos nos posicionar contra todas essas tradições estúpidas. Cada mulher precisa ser dona de seu próprio corpo, e isso inclui o hímen. Se ela desejar romper seu hímen durante a masturbação, que possa fazer sua escolha livre de julgamentos. Pessoalmente, acho que a vagina deve ser "treinada" para o sexo vaginal para evitar rupturas brutais e sangramentos. Achar normal que uma menina sinta dor na primeira relação sexual é só mais uma evidência do quanto a maioria das sociedades do mundo são doentes.  

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Atendimento via Skype

Desde que dei início ao projeto dos vídeos sobre educação sexual no canal do Youtube, tenho recebido cada vez mais mensagens de pessoas com dúvidas ou precisando de ajuda com urgência. Algumas dessas mensagens são super longas, e percebo que essas pessoas precisam de muito mais que um email como resposta.

Por isso tive a ideia de começar um projeto de atendimento via Skype. Não será uma terapia porque é complicado acompanhar pessoas, criar o vínculo terapêutico e a confiança que devem existir num processo de suporte emocional por Skype. Sendo assim, o atendimento via Skype terá como finalidade a transmissão de informação, incluindo informações de nível terapêutico, mas não com a capacidade de transformação que uma terapia teria.

Os atendimentos têm como objetivo tirar dúvidas e prestar orientação sobre questões sexuais em geral, incluindo questões de gênero, orientação sexual, fetiches, métodos contraceptivos, saúde e aconselhamento emocional sobre relacionamentos, abrangendo pessoas em relações abusivas.


Os preços variam de R$110,00 a R$250,00 dependendo do horário e duração da sessão. Mais detalhes, eu passo por email.

Contato: pattykirsche@gmail.com

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Pálida Virgem

Será que alguém entenderá
tão mórbida figura?

Aqui estão todos casais
quando uma virgem sangra.

É a realidade,
a incerteza é o orgasmo
que ele com certeza alcançará,
mas a virgem dos românticos,
essa raramente gozará.


domingo, 5 de julho de 2015

Menstruação e Paganismo

Sei que já estou devendo há algum tempo um texto sobre os significados da menstruação no paganismo. Minha demora se deve, entretanto, a uma grande dificuldade de encontrar informação com referências sobre o assunto. Mas decidi postar um condensado dos resultados de minhas pesquisas até agora.

A menstruação tem vários significados dependendo de cada cultura. Aqui, na cultura ocidental, a rejeição ao sangue menstrual é notória e institucionalizada. Entretanto, em culturas pagãs, como a celta, por exemplo, a menstruação era muito valorizada.

Como afirma Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas
sobre as sociedades celtas:

"As mulheres eram vistas como aspectos vivos da criação, porque vivenciavam todos os meses com o ciclo menstrual, o processo da vida, morte e renascimento, além do poder de gerar vidas. Vou dar um exemplo: Dergflaith era um dos nomes célticos dado à menstruação, e significava “soberania vermelha”. O vermelho representava soberania, poder, vida. Pense então nos mantos vermelhos dos reis. A menstruação tinha conotação de sagrado, porque acreditavam que a mulher se tornava ancorada e enraizada nesse período. Nos períodos de menstruação, as mulheres se isolavam numa cabana ou se dirigiam à floresta, compartilhavam sobre os problemas da tribo".

Na Wicca, o sangue menstrual pode ser utilizado como oferenda para a Deusa num ritual em que as mulheres agradecem pela capacidade de gerar a vida. Eu acho bastante interessante a ideia, pois a menstruação é um sinal de que a fêmea humana está em condições de gestar.

O sangue menstrual tem uma história de ser utilizado como instrumento mágico, e esse processo era quase sempre ligado ao ritual de se jogar o sangue na terra. Existia a ideia de que mulheres menstruadas absorviam energias, então elas poderiam auxiliar na cura de pessoas e animais doentes carregando no sangue a energia da doença e a neutralizando ao despojá-la na terra.

Outra crença interessante era a de que a energia da mulher iria para as plantas regadas com sua menstruação. Regar as plantas utilizadas em rituais e feitiços com o sangue menstrual da bruxa seria uma forma de energizar as plantas com a essência da mulher que as usaria depois, o que aumentaria o poder.

Pessoalmente, eu adoro ficar menstruada. Sinto uma forte conexão com minha feminilidade nesse período, e ainda aproveito a oportunidade para praticar rituais altamente subversivos, como a coleta do sangue para usar como fertilizante.

Não é para me gabar, mas desde que comecei a regar minhas plantas com meu sangue menstrual, elas ficaram bem mais viçosas. O sangue é rico em proteínas. Existem vários pratos que utilizam sangue de animais no preparo; galinha ao molho pardo, por exemplo. O sangue contém três macronutrientes importantes para as plantas: nitrogênio, fósforo e potássio.

Existem várias correntes de pensamento sobre os significados da menstruação para as mulheres. Na visão de algumas crenças pagãs, a fase da lua na menstruação afetaria as influências das energias da lua nas mulheres. Em linhas gerais, a mulher de lua vermelha é a que tem a menstruação na lua cheia, enquanto a mulher de lua branca é a que tem a ovulação na lua cheia. Como os ciclos da lua demoram cerca de 28 dias, que é mais ou menos a duração dos ciclos menstruais, acaba acontecendo uma equivalência de ciclo na lua nova também.

Uma das coisas que mais me incomoda na percepção que as mulheres têm de si mesmas é o period hating. Muitas mulheres têm até vergonha de fazer sexo no período menstrual devido à visão equivocada da menstruação como sujeira.

Também li sobre um xamã que considera as mulheres como flores, já que o fruto vem de nós. É interessante porque o xamanismo é um paganismo de povos nativos das Américas, mas as ideias do sangue menstrual como uma oferenda para a terra, fruto dum sacrifício sem morte, também aparecem. Ou seja, semioses nas quais a menstruação assume significados ritualísticos parecem ser comuns a várias religiões pagãs, tanto americanas quanto europeias.  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Confissões de uma ex-prostituta paulistana

Estamos sob ameaça de redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos. O pessoal fica falando em crimes hediondos cometidos por psicopatas menores para justificar a medida, mas esquece que a maioridade penal é a única coisa que estabelece algum limite legal para a distribuição de drogas legais (álcool, tabaco, etc) e pornografia. Se, nos anúncios do Amarelinho, as casas de prostituição ainda colocam 18 anos como idade mínima para as garotas, é por causa dessa questão. Não que 18 anos seja o suficiente para alguém tomar a decisão de se prostituir, mas pelo menos existe uma limitação.

Por isso, considero que esse é um excelente momento para publicar o relato que recebi da M., que está agora com 30 anos e foi prostituta entre os 18 e 19. 

Trigger warning: violência sexual e de gênero.

Homens que saem com prostitutas são, em sua maioria, a escória.

Eu tinha acabado de completar 18 anos quando comecei a me prostituir. Era uma menina pobre passando pela dificuldade de conseguir o primeiro emprego. Ninguém me dava uma chance porque eu não tinha experiência, mas eu precisava pagar as mensalidades do cursinho.

Homens sempre me assediaram na rua, então achei ingenuamente que topariam pagar para fazer sexo comigo. Na prática, as coisas são mais complicadas. Não porque eles não queiram pagar, mas porque não querem pagar o valor que a gente considera adequado.

Quando a gente se coloca como prostituta, homens acham que têm passe livre para desrespeitar. Colocam a mão na perna da gente sem nenhuma cerimônia, ligam de madrugada para falar besteira (você ficou com medo de me dar seu cuzinho porque meu pau é muito grande), mas, acima de tudo, fazem o máximo para conseguir sexo sem precisar pagar.

Tem os "românticos", que sentem tesão em levar pra cama uma prostituta que decidiu não cobrar deles. Sentem-se muito especiais por isso. Mas também tem os mesquinhos mesmo, que decidem quanto vale uma trepada com a gente pelo valor simbólico da nossa aparência. Loira? Vale mais. Negra? Vale menos. Magra? Vale mais. Gorda? Vale menos. E por aí vai para todos os padrões de beleza que você imaginar.

Apesar do pouco tempo na "vida", consegui colecionar um belo lote de humilhações. Nunca vou me esquecer dum infeliz que me ligou várias vezes num domingo de manhã. Eu disse a ele que não trabalhava aos domingos porque pretendia ficar com minha família, mas ele não parava de insistir que eu o atendesse naquele dia.

O nome dele era Franco, lembro como se fosse hoje. Era um japonês e morava na Pompeia. Fazia perguntas do tipo se meus seios eram firmes, e afirmava que eu "já tinha 18 anos", logo poderia sair no domingo se quisesse.

Por precisar de dinheiro, após muita insistência dele, acabei aceitando encontrá-lo no centro. Lá ele me ligou dizendo que estava estacionado em frente a um cinema pornô. Quando eu cheguei e me aproximei do carro, ele sequer me cumprimentou. Ficou só me olhando de cima a baixo um tempo, até que finalmente falou: "Creio que não é o que eu esperava". E o pior é que o desgraçado simplesmente ia embora, como se não tivesse me tirado de casa num dia de folga. Eu o mandei esperar e disse que ia cobrar uma quantia simbólica por ele ter me feito ir até ali; o dinheiro do táxi. Ele falou: "sem problemas", mas pagou com muita irritação. Deu o dinheiro na minha mão e falou algo como: "você consegue". Não sei bem, porque já havia virado as costas naquele momento.

Algum tempo depois disso, apareceu um sujeito ainda mais asqueroso. Ele me disse que se chamava Marcelo, mas nem sei se isso é verdade. Só tenho certeza de que ele já tinha tudo planejado quando me ligou. Perguntou se eu aceitava cheque, disse que eu poderia confiar na idoneidade dele. Falou que havia feito o curso que eu desejava fazer no Mackenzie para conquistar minha confiança. Foi tão convincente que acabei aceitando encontrá-lo no Shopping Tatuapé, que é longe de minha casa, mas provavelmente ficava perto do trabalho dele.

Apesar de ter marcado um horário, ele me ligou quando eu já estava no shopping para ter certeza de que não perderia a viagem. Ele estacionou seu Escort dourado na Tuiuti pra não gastar com estacionamento e me levou para um motel
Foto meramente ilustrativa
que, mais tarde eu descobriria, ficava no Parque Novo Mundo.

No quarto, ele queria fazer sexo anal comigo logo de cara, mas não queria usar camisinha. Disse que não tinha, então eu entreguei a minha. Ele abriu com os dentes e, depois que havia colocado, ficou se queixando de que era muito apertada. Logo em seguida, tirou e falou: "Não vamos transar, não, vamos só 'brincar'".

Ficou encostando o pênis na entrada de minha vagina e dizendo que se quisesse forçar, me forçaria. Eu senti muito medo, mas não sabia o que fazer além de torcer para aquilo acabar o mais depressa possível.

No final, ele gozou na minha barriga. E eu sei que poderia ter sido pior, porque ele queria gozar na minha cara. Imagina o esperma desse nojento no meu rosto? Ficava me chamando de "paixão", mas tudo que ele queria era se livrar de mim o mais depressa possível após ter gozado.

Ele parou o carro na beira do viaduto Aricanduva e me deu um cheque de terceiro no valor de R$240,00, que obviamente não tinha fundos. Nem para me levar até o metrô; claro que ele sabia que não passava ônibus para minha casa ali. Que tipo de verme faz isso com uma menina de 18 anos?

Minha sorte foi que cruzei um senhor e pedi informação, e ele estava indo para o mesmo lado. Ele foi conversando comigo e queria saber como eu havia me metido naquela encrenca de precisar andar tudo aquilo de salto. Eu fiquei com vergonha e falei que meu namorado havia me deixado ali, mas não refrescava muito porque que merda de namorado faria uma coisa dessas?

A prostituta é a mulher que homens acreditam ter o direito legítimo de agredir, inclusive sexualmente. Sentem que nós "merecemos" tudo que eles fazem, afinal, quem mandou "escolher" esse trabalho, não é mesmo?

Com tudo que testemunhei, só posso dizer que sinto muito por minhas colegas que não conseguiram largar a profissão. Cheguei a conhecer casas em que eu ficaria com R$30,00 por programa, e a casa com R$40,00. E ainda queriam que eu servisse de propina pra fiscal; simplesmente mandaram o cara escolher uma menina. Teve uma época em que trabalhei num bar na Vila Olímpia. Lá era melhor porque o programa era livre; a casa ganhava no bar. Mas o melhor mesmo foi quando finalmente passei no vestibular e pude largar. Sem mais.

domingo, 28 de junho de 2015

Vingança Mortal - Resenha

No final do ano passado, a escritora Raquel Machado me convidou para uma parceria: eu leria seu livro "Vingança Mortal" e escreveria uma resenha a respeito, e ela leria meu livro "Doce Ardor" e também escreveria uma resenha.

Não demorei muito para ler a obra, mas alguns fatores acabaram atrasando a publicação da resenha,
Alex fazendo divulgação
que finalmente publico aqui:

O título "Vingança Mortal" é um nome bem pesado, que, a princípio, parece se opor à leveza da história. Entretanto, ao longo da narrativa, percebemos a presença duma aura violenta nela.

O livro conta uma história sobre um grupo de amigos e amigas que se conheceram na adolescência, mas se afastaram na idade adulta. A morte de uma delas, a Nicole, acaba proporcionando um reencontro. Brenda, a protagonista, começa a suspeitar das circunstâncias de sua morte e decide investigar, então o suspense começa a surgir.

A história se passa em duas cidades do Rio Grande do Sul: São Francisco de Paula, onde o grupo passa a adolescência, e Caxias do Sul, onde a protagonista e seu marido moram depois de adultos.

A narrativa segue Brenda, que investiga as condições suspeitas da morte de Nicole e descobre uma série de surpresas numa rede de mistérios muito bem entrelaçada. Também temos alguns conflitos amorosos e personagens que escondem segredos obscuros sob uma aparência confiável.

O estilo me remeteu aos livros do ensino fundamental. Um pouco pela extensão, pois é uma história que se desenvolve em relativamente poucas páginas, e outro pouco pelas descrições da adolescência do grupo em momentos de flashback.

A capa é bem interessante; mostra um olho feminino sob uma rede rodeada por algo que parece ser fogo. É bastante adequada à trama.

Não vou comentar muitos detalhes da história, pois qualquer revelação pode estragar as surpresas. Adianto apenas que o final é surpreendente e tem uma tirada bem legal.

domingo, 21 de junho de 2015

A história de "Doce Ardor"

Em 2010, eu escrevi um livro de ficção (em tese seria o primeiro da série Pimenta & Cereja). É romance pela extensão, pois tem cerca de 90 mil palavras, mas o gênero mais próximo é fantasia urbana. A história é sobre a agente secreta Blutig Pfeffer, que acorda dum coma com a memória comprometida. Ela é uma jovem mulher independente e durona, mas que carrega uma forte angústia. O conflito principal da história é a busca de Pfeffer pela verdade escondida em seu passado; uma jornada de autoconhecimento.

Teve gente que reclamou do nome Blutig Pfeffer, que não é nada além de "bloody pepper" em alemão. Estrangeirismo em inglês a galera aceita bem, mas em outras línguas sempre rola um estresse. Fora que existem razões para que ela tenha esse nome, não é um reles capricho da autora. Mas enfim, desabafo feito, vamos em frente.

A história mistura elementos fantásticos com ação e romance. Os elementos eróticos ficam por conta dos paqueras de Pfeffer: o misterioso vampiro Hades e seu chefe Ricardo. Nenhum deles é perfeito, mas Pfeffer também não é, como as pessoas do mundo não são.

No início de 2011, quando a primeira versão ficou pronta, eu optei pelo serviço de autopublicação do Clube de Autores, site pioneiro em colocar livros virtuais a venda para serem impressos sob demanda no Brasil.

Alex fazendo divulgação de "Doce Ardor"
A ideia foi muito legal em teoria, mas o livro físico ficava muito caro lá. Fora que a qualidade de impressão não era das melhores. Com isso, ficou difícil vender os livros, e a publicação lá funcionou melhor para eu mesma comprar unidades, revisar e ceder para parceria e resenhas.

O legal é que mesmo aquela edição inicial cheia de erros agradou muita gente. A maioria das pessoas que leram, mulheres e homens de várias faixas etárias, gostaram. Foram publicadas várias resenhas positivas, as quais compartilho nos links a seguir:

Vicky Doretto
Joe Silva
Carla Ferreira
Débora e Alessandra
Mariana Dal Chico
Mayara Braga
Renato Klisman
Bih Lima

Apesar disso, não consegui publicar por nenhuma editora. Até recebi alguns contatos, mas nenhum resultou em publicação, infelizmente. O mercado editorial brasileiro é profundamente assustado. O medo de arriscar prejuízos é muito grande, e a maioria das editoras acaba apostando em títulos já bem sucedidos no exterior, principalmente nos EUA. A principal atividade das editoras brasileiras é comprar direitos de publicação de livros gringos e só se preocupar com a tradução.

No Brasil, ver TV é a atividade preferida - fonte Prolivro 
Existem várias razões que levam a esse fenômeno grotesco. Para explicar, é preciso falar do mercado editorial dos EUA. Lá são publicados livros sobre tudo, o que leva a saturação. O público tem maior hábito de leitura (tem caído, chegando a cinco livros por ano em média). No Brasil, o número médio de livros lidos por ano ficou em torno de quatro em pesquisa feita em 2011. Mas a diferença mais gritante está nos números de quem não leu nenhum livro no ano anterior. Nos EUA esse número ficou em torno de 23% em 2014, mas no Brasil chegou a 70%.

Infelizmente, a cultura brasileira é predominantemente audiovisual; a maioria dos entrevistados na última pesquisa Prolivro apontou ver TV como a atividade mais prazerosa.


Mas existem outras questões, como o preço do livro, por exemplo. Os custos de produção são elevados no Brasil, em parte devido à forma como os impostos são aplicados. Além disso, nos EUA existe um processo de barateamento dos livros após cerca de um ano do lançamento, com a impressão na modalidade brochura, de papel mais barato.


A última remessa
O que nos leva a minha situação atual. Uma colega sugeriu que eu publicasse "Doce Ardor" na loja da Amazon, e devo dizer que a experiência tem sido boa. Mesmo sendo impresso nos EUA, o livro acaba saindo mais barato, e a qualidade de impressão é muito melhor. E ainda tem versão para Kindle disponível, por apenas R$6,43.

Há alguns dias chegou o último lote que comprei. Minha intenção é disponibilizar para algumas das pessoas lindas que apoiam meu ativismo.
Quem adquirir vai receber uma unidade de Doce Ardor com dedicatória personalizada. São poucas unidades, que estou vendendo pelo valor promocional R$45,00 com frete incluso.

Não é fácil dedicar tempo para manter um blog e um vlog só por ideologia, mas as mensagens das (muitas) pessoas que já ajudei me ajudam a continuar. Só que só as mensagens não pagam as contas... Por isso fiz esta postagem. Eu poderia estar roubando, mas não. Estou aqui tentando vender meus livros no blog. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo e-mail pattykirsche@gmail.com.