domingo, 15 de maio de 2016

Lista das empresas que estão apoiando o golpe no Brasil 2016

Apoio através de propaganda

Kia Motors
Nestlé
Habib's e Ragazzo
Shopping Internacional
Santander

Apoio através de patrocínio da Rede Globo

Crefisa

sábado, 14 de maio de 2016

Lista de deputados(as) e senadores(as) que votaram a favor do golpe 2016 (por partido)

CÂMARA

DEM (Democratas)

Abel Mesquita Jr.
Onyx Lorenzoni
Hélio Leite
Mandetta
Pauderney Avelino
Marcos Rogério
Alberto Fraga
Professora Dorinha Seabra Rezende
Alexandre Leite
Eli Corrêa Filho
Jorge Tadeu Mudalen
Missionário José Olimpio
Rodrigo Garcia
Juscelino Filho
Moroni Torgan
Francisco Floriano
Marcos Soares
Rodrigo Maia
Sóstenes Cavalcante
Felipe Maia
Carlos Melles
Misael Varella
Claudio Cajado
Elmar Nascimento
José Carlos Aleluia
Paulo Azi
Efraim Filho
Mendonça Filho

PDT (Partido Democrático Trabalhista)

Giovani Cherini
Hissa Abrahão
Flávia Morais
Sergio Vidigal
Mário Heringer
Subtenente Gonzag

PEN (Partido Ecológico Nacional)

Erivelton Santana

PHS (Partido Humanista da Solidariedade)

Carlos Andrade
Diego Garcia
Marcelo Matos
Dr. Jorge Silva
Marcelo Aro
Pastor Eurico

PMB (Partido da Mulher Brasileira)

Weliton Prado

PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro)

Alceu Moreira
Darcísio Perondi
José Fogaça
Mauro Pereira
Osmar Terra
Celso Maldaner
Mauro Mariani
Rogério Peninha Mendonça
Ronaldo Benedet
Valdir Colatto
Cabuçu Borges
José Priante
Hermes Parcianello
João Arruda
Osmar Serraglio
Sergio Souza
Carlos Marun
Marcos Rotta
Lucio Mosquini
Marinha Raupp
Daniel Vilela
Pedro Chaves
Flaviano Melo
Jéssica Sales
Dulce Miranda
Josi Nunes
Carlos Bezerra
Baleia Rossi
Edinho Araújo
Alberto Filho
Hildo Rocha
Moses Rodrigues
Vitor Valim
Alexandre Serfiotis
Altineu Côrtes
Eduardo Cunha
Fernando Jordão
Marco Antônio Cabral
Pedro Paulo
Sergio Zveiter
Soraya Santos
Washington Reis
Lelo Coimbra
Walter Alves
Flávio Ramalho
Leonardo Quintão
Mauro Lopes
Newton Cardoso Jr.
Rodrigo Pacheco
Saraiva Felipe
Lucio Vieira Lima
Hugo Motta
Manoel Junior
Veneziano Vital do Rêgo
Jarbas Vasconcelos
Kaio Maniçoba
Fabio Reis
Cícero Almeida
Marx Beltrão

PP (Partido Progressista)

Arthur Lira
Eduardo da Fonte
Aguinaldo Ribeiro
Toninho Pinheiro
Renzo Braz
Odelmo Leão
Luiz Fernando Faria
Franklin Lima
Dimas Fabiano
Beto Rosado
Iracema Portella
Marcus Vicente
Simão Sessim
Julio Lopes
Adail Carneiro
André Fufuca
Ricardo Izar
Paulo Maluf
Guilherme Mussi
Fausto Pinato
Lázaro Botelho
Rôney Nemer
Roberto Balestra
Conceição Sampaio
Ricardo Barros
Nelson Meurer
Marcelo Belinati
Dilceu Sperafico
André Abdon
José Boeira
Esperidião Amin
Renato Molling
Luis Carlos Heize
José Otávio Germano
Jerônimo Goergen
Covatti Filho
Afonso Hamm
Hiran Gonçalves

PPS (Partido Popular Socialista)

Carmen Zanotto
Arnaldo Jordy
Rubens Bueno
Marcos Abrão
Alex Manente
Arnaldo Jardim
Eliziane Gama
Arthur Oliveira Maia

PR (Partido Republicano)

Remídio Monai
Jorginho Mello
Christiane de Souza Yared
Giacobo
Luiz Nishimori
Alfredo Nascimento
Luiz Cláudio
Delegado Waldir
Magda Mofatto
Laerte Bessa
Capitão Augusto
Marcio Alvino
Miguel Lombardi
Milton Monti
Paulo Freire
Tiririca
Cabo Sabino
Alexandre Valle
Dr. João
Paulo Feijó
Bilac Pinto
Delegado Edson Moreira
Marcelo Álvaro Antônio
Anderson Ferreira
Adelson Barreto
Maurício Quintella Lessa

PRB (Partido Republicano Brasileiro)

Jhonatan de Jesus
Carlos Gomes
Silas Câmara
Lindomar Garçon
João Campos
Alan Rick
César Halum
Antonio Bulhões
Beto Mansur
Celso Russomanno
Marcelo Squassoni
Roberto Alves
Sérgio Reis
Vinícius Carvalho
Cleber Verde
Ronaldo Martins
Roberto Sales
Rosangela Gomes
Lincoln Portela
Márcio Marinho
Tia Eron
Jony Marcos

PROS (Partido Republicano da Ordem Social)

Toninho Wandscheer
Ronaldo Fonseca
Felipe Bornier
Eros Biondini

PSB (Partido Socialista Brasileiro)

Maria Helena
Heitor Schuch
José Stédile
Leopoldo Meyer
Luciano Ducci
Tereza Cristina
Adilton Sachetti
Fabio Garcia
Flavinho
Keiko Ota
Luiz Lauro Filho
José Reinaldo
Danilo Forte
Hugo Leal
Paulo Foletto
Átila Lira
Heráclito Fortes
Rodrigo Martins
Rafael Motta
Júlio Delgado
Tenente Lúcio
Danilo Cabral
Fernando Coelho Filho
Gonzaga Patriota
João Fernando Coutinho
Marinado Rosendo
Tadeu Alencar
Valadares Filho
JHC

PSC (Partido Social Cristão)

Júlia Marinho
Takayama
Professor Victório Galli
Eduardo Bolsonaro
Gilberto Nascimento
Pr. Marco Feliciano
Arolde de Oliveira
Jair Bolsonaro
Irmão Lazaro
Andre Moura

SD (Solidariedade)

Wladimir Costa
Fernando Francischini
Lucas Vergilio
Augusto Carvalho
Major Olimpio
Paulo Pereira da Silva
Genecias Noronha
Aureo
Carlos Manato
Laudivio Carvalho
Zé Silva
Benjamin Maranhão
Augusto Coutinho
Laercio Oliveira

REDE (Rede Sustentabilidade)

João Derly
Miro Teixeira

PV (Partido Verde)

Leandre
Evandro Gussi
Roberto de Lucena
Sarney Filho
Evair de Melo
Uldurico Junior

PTN (Partido Trabalhista Nacional)

Antônio Jácome
Luiz Carlos Ramos
Ezequiel Teixeira
Renata Abreu
Dr. Sinval Malheiros
Carlos Henrique Gaguim
Alexandre Baldy
Francisco Chapadinha

PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil)

Cabo Daciolo
Luis Tibé

PTB (Partido Trabalhista Brasileiro)

Luiz Carlos Busato
Ronaldo Nogueira
Sérgio Moraes
Josué Bengtson
Alex Canziani
Nilton Capixaba
Jovair Arantes
Arnaldo Faria de Sá
Nelson Marquezelli
Cristiane Brasil
Deley
Benito Gama
Wilson Filho
Jorge Côrte Real

PSL (Partido Social Liberal)

Alfredo Kaefer
Dâmina Pereira

PSD (Partido Social Democrático)

Danrleu de Deus Hinterholz
Cesar Souza
João Paulo Kleinübing
João Rodrigues
Marcos Reategui
Delegado Éder Mauro
Joaquim Passarinho
Evandro Roman
Sandro Alex
Átila Lins
Expedito Netto
Heuler Cruvinel
Thaigo Peixoto
Rogério Rosso
Tampinha
Goulart
Herculano Passos
Jefferson Campos
Victor Mender
Indio da Costa
Júlio Cesar
Fábio Faria
Diego Andrade
Jaime Martins
Marcos Montes
Raquel Muniz
Stefano Aguiar
Rômulo Gouveia
André de Paula

PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro)

Shéridan
Nelson Marchezan Junior
Geovania de Sá
Marco Tebaldi
Nilson Pinto
Luiz Carlos Hauly
Nelson Padovani
Paulo Martins
Elizeu Dionizio
Geraldo Resende
Arthur Virgílio Bisneto
Mariana Carvalho
Célio Silveira
Sábio Sousa
Giuseppe Vecci
Izalci
Rocha
Nilson Leitão
Bruna Furlan
Bruno Covas
Carlos Sampaio
Duarte Nogueira
Eduardo Cury
Floriano Pesaro
João Paulo Papa
Mara Gabrilli
Miguel Haddad
Ricardo Tripoli
Samuel Moreira
Silvio Torres
Vanderlei Macris
Vitor Lippi
João Castelo
Raimundo Gomes de Matos
Otavio Leite
Max Filho
Rogério Marinho
Bonifácio de Andrada
Caio Narcio
Domingos Sávio
Eduardo Barbosa
Marcus Pestana
Paulo Abi-Ackel
Rodrigo de Castro
Antonio Imbassahy
João Gualberto
Jutahy Junior
Pedro Cunha Lima
Betinho Gomes
Bruno Araújo
Daniel Coelho
Pedro Vilela

SENADO

SEM PARTIDO

Reguffe

PV

Álvaro Dias

PTC (Partido Trabalhista Cristão)

Fernando Collor

PTB (Partido Trabalhista Brasileiro)

Zeze Perrela

PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro)

Aécio Neves
Aloysio Nunes Ferreira
Antonio Anastasia
Ataídes Oliveira
Cássio Cunha Lima
Dalirio Beber
Flexa Ribeiro
José Serra
Paulo Bauer
Ricardo Ferraço
Tasso Jereissati

PSD (Partido Social Democrático)

José Medeiros
Omar Aziz
Sérgio Petecão

PSC (Partido Social Cristão)

Eduardo Amorim

PSB (Partido Socialista Brasileiro)

Antonio Carlos Valadares
Fernando Bezerra Coelho
Lúcia Vânia
Roberto Rocha
Romário

PRB (Partido Republicano Brasileiro)

Marcelo Crivella

PR (Partido Republicano)

Blairo Maggi
Magno Malta
Vicentinho Alves
Wellington Fagundes

PPS (Partido Popular Socialista)

Cristovam Buarque

PP (Partido Progressista)

Ana Amélia
Benedito de Lira
Ciro Nogueira
Gladson Cameli
Ivo Cassol
Wilder Morais

PDT (Partido Democrático Trabalhista)

Acir Gurgacz
Lasier Martins

DEM (Democratas)

Davi Alcolumbre
José Agripino
Maria do Carmo Alves
Ronaldo Caiado

PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro)

Waldemir Moka
Valdir Raupp
Simone Tebet
Rose Freitas
Romero Jucá
Raimundo Lira
Marta Suplicy
José Maranhão
Hélio José
Garibaldi Alves Filho
Eunício Oliveira
Edison Lobão
Dário Berger

Fonte: G1

domingo, 17 de abril de 2016

Sobre a direita e os novos rumos

Sabe, a direita não é uma coisa abstrata. A direita é aquela gente com camiseta da CBF enrolada na bandeira do Brasil (ufanismo babaca). Sempre foi a direita que elegeu (e reelegeu) merdas como Ademar de Barros, Maluf, Covas, Alckmin, Collor, FHC, Quércia, Fleury, etc.

A direita sabe que os partidos com mais denúncias de corrupção são DEM, PMDB e PSDB. Mas ela quer destruir o PT porque quer destruir a esquerda e todos os avanços. Estamos num ponto crítico para o capitalismo.

Quando Hitler estabeleceu o nazismo na Alemanha, ele fez isso destruindo o partido da social democracia, o PT de lá (além de todos sindicatos). Sabe por quê? Porque era o maior partido de esquerda, ainda que o mais moderado. O que estamos enfrentando agora no Brasil não é uma simples tentativa de golpe parlamentar, mas uma mudança no regime.

A direita vem tentando destruir o PT através da desmoralização espetaculizada há tempos. Daqui por diante, só podemos esperar um recrudescimento do golpe por parte das instituições de poder. Talvez restrições ao número de partidos políticos para que não haja esquerda, ou a mudança de voto universal para distrital, a tentativa de implementar o parlamentarismo... De todo modo, o resultado será uma forma de tirar o poder das classes mais pobres e tornar inabalável a manutenção do status quo.

Com relação aos direitos das mulheres e minorias, só podemos esperar por retrocessos, claro. Esse é o momento para a esquerda se unir. Porque a direita já deixou bem claro que sabe se mobilizar para usar os poderes a seu modo.

Eu já testemunhei muita coisa ruim na política brasileira. Mas quando vi o filho do Bolsonaro enrolado na bandeira do meu estado e dizendo que votava pelos militares de 64, eu tive vontade de chorar. Eu sou paulistana nascida na Vila Clementino. Nunca senti tanta vergonha de SP como hoje.

sábado, 16 de abril de 2016

O absurdo de comparar o impeachment de Collor com o golpe contra Dilma

Quando eu era criança, via todo mundo reclamando de política. Corrupção pra cá, corrupção pra lá. Estudei em escola de rico; particular e "bem localizada". Tinha professor de história que votava no Maluf. Tinha coleguinha dizendo que não votaria no PT jamais para não ter "neguinho" morando na casa dela. Naquela época, o PT não chegava nem perto de cargo do executivo.

Minha família sempre foi de esquerda. Meu finado avô, pai de minha mãe, era comunista. Quase todos meus parentes votavam no PT, embora os candidatos nunca fossem eleitos. E o "povo" continuava reclamando de política, mas elegia sempre as mesmas pessoas.

Governo Sarney: inflação altíssima, herança da ditadura militar. Política de congelamento de preços levava o comércio a esconder mercadorias que só eram liberadas mediante pagamento de ágio.

Em 1989, as primeiras eleições após tanto tempo de ditadura. A chance de colocar o Lula, um sindicalista de esquerda no governo federal e mudar as coisas. Mas claro que isso incomodaria o empresariado e as gigantes das telecomunicações. Então a Globo e a Veja, numa época em que não havia internet, construíram o "caçador de marajás" Fernando Collor de Mello, do extinto PRN, para manter a direita no poder após 21 anos de ditadura (Sérgio Moro, anyone?).

Collor foi eleito e confiscou as poupanças duma população sofrida num plano para reduzir a circulação de dinheiro e reduzir a inflação. Pessoas que haviam acabado de vender bens caros como casas perderam todo acesso a seu dinheiro por dezoito meses. Após o prazo, o dinheiro foi liberado novamente, mas não com correções monetárias. Um absurdo que levou muita gente ao suicídio. Mas Collor não sofreu o impeachment por conta disso.

Ele sofreu (na verdade renunciou momentos antes) porque ficou provado que havia dinheiro público indo para as contas dele. Foi feita uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) antes das votações de parlamentares. Ele realmente roubou dinheiro da população; havia provas disso. O contexto histórico era bem diferente. A inflação chegava aos 40% ao mês. O único jeito de não perder dinheiro era depositando na poupança. A pessoa ia a uma loja pela manhã, o preço era um; se voltava à tarde, o preço já era outro. Os preços no mercado eram remarcados enquanto as pessoas faziam as compras.

Então ele saiu, o vice Itamar Franco (PMDB) assumiu, e Fernando Henrique Cardoso foi nomeado para o ministério da fazenda. Levando crédito por um plano de dolarização artificial da moeda que não era dele, FHC adquiriu popularidade para se eleger nas eleições seguintes.

Inflação é um processo de histeria coletiva no qual a população inteira vai repassando aumentos em produtos e serviços, o que vai corroendo o poder de compra da moeda. Claro que o governo militar tinha um histórico de fabricar dinheiro, mas essa é outra história. Muito dinheiro circulando perde o valor por lei da oferta e da procura.

O processo do plano real na verdade foi bem simples. A ideia foi acostumar as pessoas a parar de repassar qualquer aumentozinho e manter os preços estáveis. Só que, em vez de dolarizar a economia como outros países fizeram, o Brasil usava uma taxa de correção baseada no dólar chamada URV (Unidade real de valor).

Resolveu? Sim, a inflação caiu bastante. O Real até passou algum tempo valendo mais que o dólar. FHC segurou a situação assim por um tempo porque pretendia se reeleger. Ele pagou muito parlamentar para votar a favor da emenda da reeleição, mas isso nunca foi investigado.

FHC segurou o Real valendo o mesmo que o Dólar exatamente até sua reeleição em 1998. Isso porque a classe média estava toda feliz financiando carro pelos juros do Dólar. Só que aí ele foi reeleito e não tinha condição de continuar impedindo o ajuste do câmbio artificialmente, já que ele usava dinheiro público para isso. Então toda a galera que havia comprado carro financiado pelos juros do dólar (mais baixos) ficou com uma dívida enorme, pois precisariam pagar praticamente o dobro em reais.

Foi uma época de recessão muito brava. Quase não tinha emprego, mas todo mundo achava legal porque não tinha inflação. E, claro que para os ricos as coisas eram boas, como sempre são em qualquer época ou lugar.

Todas as tentativas de se fazer uma CPI das privatizações absurdamente irresponsáveis de seu governo foram coibidas. As mesmas pessoas que acusam o PT de corrupção fingem não ver o apartamento que FHC mantém em Paris, que ele jamais poderia ter comprado com a renda dele. FHC entregou a Vale do Rio Doce por bem menos do que valia.

Mas nada disso importa para quem odeia o PT. Porque o ódio ao PT tem muito mais a ver com o ódio à esquerda como um todo do que com supostos desvios de caráter de integrantes do partido.

O presidente da câmara Eduardo Cunha (PMDB) é uma das pessoas mais abjetas vivas atualmente. É conservador, neoliberal, evangélico e tenta impor seus valores religiosos através do poder político. Só exemplificando, ele quer que vítimas de estupro passem por "testes" para "provar" que foram estupradas e tenham acesso ao aborto que lhes é direito pela lei.

Esse homem (e sua família) também está envolvido em diversos esquemas de corrupção, inclusive com a presença de contas na Suíça. O processo de sua cassação está parado no STF. E mais, ele é primo de Johnny Saad, dono do grupo Band. Por ter se recusado a não criticá-lo, a jornalista Bárbara Gancia foi demitida. Mas o pior é que ele só protocolou o pedido de impeachment da presidenta Dilma quando o PT resolveu votar a favor de sua cassação. Ou seja, todo esse circo é fruto duma chantagem barata. Mas que pode custar muito caro para o povo brasileiro.

Todos os parlamentares a favor da saída de Dilma têm a ficha suja. O conspirador Michel Temer (conhecido por ser velho safado com esposa novinha) também. Só que o pessoal de direita não liga para isso. Porque o importante é tirar o PT do poder e todos os benefícios que seu governo trouxe para os pobres.

A classe média não gosta que dinheiro público seja usado para dar uma vida melhor aos pobres, mas não só. Haja vista a irritação com a PEC das domésticas. Empresários estão muito bravos porque já não é tão fácil encontrar gente disposta a trabalhar muito para receber pouco. E isso aconteceu porque, mal e porcamente, a formação das pessoas melhorou. Em 2001, apenas 3,0% da população brasileira entrava no ensino superior. E só 1,5% saía com o diploma. Hoje, 15% da população brasileira tem diploma de ensino superior. Não há como negar que programas do governo federal como Prouni, Sisu e Fies ajudaram muita gente. Fora que houve uma expansão das universidades federais.

Propaganda do AutoShopping, do grupo General Shopping
Eu percebo que há vagas de emprego que não são jamais preenchidas em várias lojas de shopping e supermercados. Só que as empresas preferem ter menos gente trabalhando do que melhorar os salários. Não é à toa que empresas como o Shopping Internacional estão apoiando, ainda que de maneira velada, o impeachment da Dilma.

Em síntese, a situação de Collor era completamente diferente da de Dilma. Collor era um político conservador, neoliberal, construído pela mídia para minar as possibilidades de alguém de esquerda na presidência, numa legenda artificialmente criada para a eleição. Ele vem de família de latifundiários de Alagoas e abriu o mercado brasileiro para importações justamente para tornar a exportação viável para o agronegócio. Foi eleito pela Globo e deposto pela Globo quando não era mais útil. Mas, mesmo assim, ele realmente cometeu crimes e realmente foi investigado.

Dilma é uma mulher que lutou contra a ditadura militar e foi torturada. Vem de uma legenda com tradição. Seu governo não foi bem de esquerda, mas certamente foi mais inclinado à esquerda do que PMDB ou PSDB jamais seriam. Conseguiu ser eleita apesar de toda a pressão da mídia para que não fosse. E agora o congresso mais conservador do país desde 1964 com apoio da mídia está se unindo para destituí-la de forma arbitrária. Então isso constitui um golpe parlamentar sim. Tem gente tentando até ressuscitar o fantasma do parlamentarismo para tentar reduzir o poder do executivo.

Que momento histórico para a gente presenciar. Estamos muito mais diante duma luta pela democracia, do que de uma luta por um governo do PT. Só espero que a esquerda se fortaleça cada vez mais no país e deixe de ser uma coisa restrita ao ambiente universitário. E, claro, que as pessoas aprendam a votar no legislativo. Porque deputadas/os federais recebem salários bem altos e têm muito poder.