quinta-feira, 30 de outubro de 2014

escrita em 1999

Hoje é o perdão que não chega
mesmo porque ainda não me arrependi.
Se eu tivesse ido embora antes de
apanhar talvez, mas não.
Eu quis todos sabores.
Como sempre, quis provar tudo;
gulosa, tive de vomitar
e engoli o remédio amargo
do castigo.

sábado, 25 de outubro de 2014

O mito da ditadura comunista


Eu gostaria de escrever um texto melhor, mas acabo de passar por um luto repentino em família que complicou bastante minha disponibilidade de tempo. O fato é que não consigo entender esse ódio pelo PT. Vejo pessoas que só estão tendo a chance de fazer uma faculdade devido a programas como Prouni e Fies do governo federal chamando gente como eu de "merda" porque voto no PT. 

Uma das maiores armas contra o PT tem sido essa história de "ditadura comunista". Gente, em que ditadura as pessoas xingariam a presidenta de "sapatão" e "vaca" e não acabariam peladas num pau de arara levando choque nos genitais?

Minhas maiores críticas ao governo do PT existem porque está moderado demais!
Pra mim não deveria nem ter banco privado! Gente que não tem nem merda pra cagar com medo de governo de esquerda? Quem tem que ter medo é latifundiário e empresário. E de fato são eles que têm. E não têm pudor nenhum de usar a religião pra manipular as massas. Porque não se iludam... Os líderes religiosos sabem muito bem o que estão fazendo ao mandar pobre votar em candidato de direita.



Os empresários estão bravos porque o desemprego caiu. No capitalismo o pleno emprego é um problema porque, pela lei da oferta e procura, quando sobram empregos, os salários sobem. O lucro das empresas se dá pela receita menos os custos. Para aumentar o lucro, é preciso aumentar a receita e/ou reduzir custos. O problema de aumentar a receita é que isso pode impossibilitar que os preços aplicados sejam competitivos, e a empresa perca mercado para a concorrência. Então a melhor forma de se maximizar os lucros é reduzindo custos, e o salário de funcionários representa um custo alto. É claro que ninguém vai falar abertamente que o pleno emprego é inconveniente para alguém, mas a verdade é que é para todas as empresas, principalmente as de grande porte. Ainda mais quando a mão de obra barata começa a desaparecer com a melhora da formação da população (com o auxílio dos programas Prouni e FIES). Então os poderosos estão muito bravos com o governo do PT, querem tirar a qualquer custo.
 


Por que Dilma?



Eu cresci numa família de esquerda; meus pais e a maioria de meus parentes sempre votaram no PT. Em meio a discussões acaloradas sobre política, tanto eu quanto minha irmã crescemos sabendo que era papel do estado reduzir as desigualdades sociais.


Quando criança, eu estudava em escola de rico. Pagar as mensalidades era um sacrifício que meus pais consideravam necessário diante da baixa qualidade do ensino público, então eu acabava convivendo com crianças que tinham um poder aquisitivo muito mais alto que o meu. Em época de eleições, eu ficava sabendo que os pais delas iam votar em Paulo Maluf, Mário Covas, entre outros candidatos que não eram do PT. 

Pra mim já era muito claro que o PT faria um melhor governo, mas eu não entendia por que as outras famílias não percebiam isso. Até que um dia uma de minhas colegas me disse: "Eu jamais votaria no PT. Eu não sou racista, mas já pensou os 'neguinhos' morando na sua casa?". Falei sobre isso com minha mãe, e ela me explicou que pensar assim era pura ignorância.  
 
Então vamos definir as principais diferenças entre esquerda e direita de forma simples:
 

Esquerda: 


Intervenção do estado na economia: leis trabalhistas
Políticas de justiça social: cotas, bolsas
Serviços públicos: saúde, educação
Influência da sociedade na formação do indivíduo
Resolver problemas de criminalidade pela educação
Entendimento de que minorias são discriminadas 
Reforma agrária, desapropriação de imóveis inativos para moradias populares

Direita:

Economia segue sozinha, conveniente para empresários
Sem políticas sociais, cada um que se vire, meritocracia (escolhas e responsabilidade individual)
Normal não ter negro na universidade, mas ter na penitenciária
Normal não ter mulher na política
Crença de todos são iguais e que alegar discriminação é vitimização
Sem serviços públicos: EUA não tem saúde pública, universidades públicas lá são pagas 
Resolver problemas de criminalidade com truculência policial/ Repressão
Viva a PM/ Viva as forças armadas
Ordem e Progresso
Conservadorismo
Ufanismo
Nacionalismo
Apartidarismo

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Política - Eleições 2014

Dia de votação chegando. Primeiro vou deixar registrado que eu gosto de votar, sempre gostei. Minha família é politizada, e eu cresci em meio a muita militância de esquerda. Hoje em dia, pesquisando e militando feminismo, compreendo que ser de esquerda não é só uma visão política, mas uma característica que praticamente descreve a personalidade dum indivíduo. A visão das ideologias de direita é muito individualista, pois tende a hiper-responsabilizar as pessoas pela situação financeira em que estão a fim de justificar que o estado não invista dinheiro público em programas sociais. Quem ganha com isso? Os ricos, que pagam menos impostos e conseguem reduzir custos pagando salários mais baixos. Inclusive é pauta de direita acabar com a justiça do trabalho e com a CLT. Direitos trabalhistas são um exemplo de intervenção do estado na economia. Uma das razões pelas quais o setor empresarial está tão insatisfeito recentemente é o pleno emprego. Sabe o que é não achar ninguém que aceite trabalhar feito escravo por um salário de fome? Então. Esse é o problema da elite, e é por isso que estão tão bravos com o PT.

Figura 1 - E eu achando que "terrorismo religioso" era ameaça de excomunhão
Pior é que tem até líder religioso fazendo o serviço sujo de formar opinião contra o PT. Sabe, tem muita gente pobre que frequenta igrejas. O que leva líderes religiosos a induzir seus fieis a votarem na direita, que só defende os interesses dos ricos? Outra coisa que não entendo é por que o PT ainda cede à pressão da bancada teocrática se tantos lideres religiosos continuam tentando destruir a imagem do partido. Mas enfim...   

Essa imagem ao lado (figura 1) é visivelmente manipuladora. A intenção é associar o PT e o comunismo a assassinatos de bebês. Cadê a ética em se utilizar uma imagem perturbadora para manipular pessoas ignorantes? Religião ameaçando fieis para conseguir resultados políticos não me parece algo moral.

Figura 2 - Informações inverídicas
Na figura 2, homens tão interessados em impedir abortos, mas nem um pouco preocupados com as mulheres que morrem nos abortos clandestinos. Será que essas eles chamam de "mãe"?

Fazem uma montagem com absurda má-fé na qual chamam propositalmente embrião ou feto de "bebê". E o diminutivo "coraçãozinho"? Atribuir pensamentos a feto? Isso é tudo tática para conseguir identificação com os fetos, que não são pessoas formadas. É recurso de quem faz desenho animado para crianças. 

Dizer que o "bebê" sente dor? Gente, não há provas de que o feto sinta dor mesmo após a formação do sistema nervoso, que só existe APÓS a 12ª semana. Mas as mulheres que abortam sem segurança sentem MUITA dor.

Abortos nem são assim, mas o pior é colocar pílula do dia seguinte como abortiva. Na boa, a candidatura desses dois deveria ser cassada. Primeiro porque a frase "abortar é matar" escrita em letras grandes ofende as mulheres que abortam. Faço questão de apontar que o quadrinho não faz nenhuma menção aos casos legais na legislação brasileira, ou seja, ofende a honra de todas as mulheres que abortam. Segundo porque eles estão usando conservadorismo e ignorância (precisa ser muito ignorante para acreditar que o aborto ser ilegal é algo bom) do povo para se elegerem. De toda forma, anotem esses nomes para não votar: Carlos Dias 5588 (PSD do RJ) e Marcio Gualberto 27333 (PSDC do RJ).
Informações verídicas

O mais engraçado é ver foto de Olavo de Carvalho fumando na página do Gualberto. Quer dizer que fumar não tem problema? Não é suicídio involuntário? Não destrói a vida humana? Fumar causa aborto, inclusive. Cadê coerência? Sem brincadeira, eu tenho vergonha alheia por um texto tão manipulador como esse. Eu vi esses quadrinhos aí na pagina dum "dom" não sei o quê, um sujeito com algum cargo católico. Engraçado, eu achava que mentir estivesse entre os pecados da igreja católica. Pelo visto, não. E parece que a perseguição de mulheres ainda não acabou também. 

Agora, falando sobre os meus votos. Devo dizer que gostei de ter conhecido a Luciana Genro, ela é sem dúvida uma política muito interessante. Precisamos de gente para dizer muitas das coisas que ela diz. Mas a verdade é que não é fácil pegar um cargo no executivo. Faz parte do processo democrático ter um monte de gente envolvida na proposição, aprovação e execução de leis. E ninguém consegue chegar lá e fazer revolução simplesmente. 

Quanto ao Eduardo Jorge, gostei da postura dele ao tocar em temas polêmicos, o aborto principalmente. Mas não vamos esquecer que o PV é um partido de centro. Além disso, ele deu uma risadinha mega desagradável (machista) para zombar da Luciana no último debate da Record. E isso porque ele é o único homem tolerável no grupo dos sete que apareceram em debates. Imagina como são os outros. 

Para presidente, votarei na Dilma 13 porque gostaria que fosse definido no primeiro turno. Não acho que este seja o momento para dar um voto simbólico para algum dos nanicos porque não tenho energia para segundo turno. Eu realmente gostaria que a presidência já ficasse definida logo, já que, ao que tudo indica, perderemos o governo e o senado de São Paulo.

E claro, apesar das tristes previsões, votarei em Eduardo Suplicy 131 para senador e Alexandre Padilha 13 para governador. O estado de São Paulo é muito conservador, tanto no que se refere a costumes como a economia. Aqui é o estado do "São Paulo que amanhece trabalhando"; infelizmente ainda existe um sentimento de superioridade com relação ao resto do país, uma sensação de ser a "locomotiva" por conta do capitalismo ter se realizado aqui mais fortemente. E toda essa gente "trabalhadora" tem duas prioridades: ter lugar para andar com o carro e proteger sua propriedade privada. É por isso que gente como Paulo Maluf conseguiu tanto espaço na política daqui. Agora não querem tirar o PSDB do governo para continuar o investimento de dinheiro público em rodoanéis pedagiados pela iniciativa privada.  

Resposta da equipe de Aécio sobre aborto
Para o legislativo (fora senado) eu só voto em mulheres feministas. Nós temos menos de 9% de mulheres eleitas; não tem como a gente conseguir aprovar nossas reivindicações assim. Nós precisamos eleger deputadas e vereadoras de esquerda e feministas.


Para deputada federal, vou votar na Rachel Moreno 1317 do PT. Ela é uma feminista com muito tempo de ativismo, e acredito que ela tem boas chances de ser eleita. Uma outra dica para quem ainda não decidiu é a Lenina 2100 do PCB.

Deputada estadual, ainda não decidi. Vou escolher alguma desta lista: A Gil Lima 50210 do PSOL, Isa Penna 50083 do PSOL, Vanessa Gravino 50015 do PSOL, Flavia Bischain 16300 do PSTU e Arielli 16000 do PSTU.


O principal item que considero na escolha é se a candidata tem a luta pela legalização do aborto como prioridade. Eu tenho muita vergonha de viver num país que não tem respeito pelo direito de escolha de suas cidadãs porque isso é um sintoma de algo maior, que é a mentalidade entranhada de que a sexualidade feminina está a serviço da reprodução. 

Aborto legal não deve ser objeto de discussão. Nós não temos que pedir isso. Nós temos que exigir. Sou cidadã brasileira; eu pago impostos, ajudo a construir esse país assim como tantas mulheres. É meu dinheiro também que financia fundo partidário e paga espaço na televisão para propaganda eleitoral. Eu exijo ter meus direitos reprodutivos garantidos; isso não é uma negociação. É um absurdo saber que precisarei viajar para o exterior caso precise de um aborto. E sim, eu tenho condições de viajar. Sou uma mulher independente, informada e bem sucedida. Mas existem muitas outras que não podem e, para elas, a legalização da interrupção voluntária da gravidez é urgente. 

Há algumas semanas assisti a uma aula na FFLCH sobre religião. Num certo momento o professor falou que o direito ao aborto é inegociável dentro da academia, porque constitui direito de uso do corpo. Eu gostei muito de ouvir isso. Só gostaria que mais pessoas soubessem disso.

domingo, 28 de setembro de 2014

É muito fácil ser a favor do aborto se você já nasceu

Apesar da falta de tempo, achei que não poderia deixar passar dia 28 de setembro, o Dia Latino-americano e Caribenho de Luta pela Legalização e Descriminalização do Aborto, sem uma postagem especial sobre o assunto. Aproveito para deixar registrado que li nos últimos dias excelentes textos como o da Lola, que fala sobre a diferença do tratamento oferecido ao homem que quer forçar a mulher a abortar e a mulher que deseja abortar. 

O da Carol Patrocínio é bastante didático, desmistifica vários mitos sobre o assunto; destaco nele a menção ao fato de que métodos contraceptivos falham bastante. Nesse texto em especial, li alguns comentários e fiquei estarrecida com o nível de ignorância deles. Mesmo o texto explicando tudo direitinho, havia vários comentários, inclusive de mulheres, dizendo que as mulheres precisam ter mais "responsabilidade". Gente, como assim mais responsabilidade? São sempre as mulheres que seguram o rojão de serem mães solteiras; os homens simplesmente desaparecem.

E não adianta a gente colocar as estatísticas sobre falha de contraceptivos. Sempre tem algum comentário falando que mulheres engravidam porque "não se protegem". Eu respondi pelo menos dois deles com uma citação do texto: "Qual parte de 'Mesmo que a gente oferecesse métodos contraceptivos para todas as mulheres sexualmente ativas no mundo, segundo a OMS, se todas usassem direitinho, mesmo assim nós teríamos entre oito e 10 milhões de gestações por falhas dos próprios métodos. Uma coisa que precisa ser entendida é que as mulheres não engravidam porque não são responsáveis ou simplesmente não usam métodos contraceptivos. Dizer isso é pura ignorância.' você não entendeu?".

Eu acho que o pior equívoco a respeito do aborto é essa fantasia de que é assassinato. E é uma fantasia mesmo, tanto que boa parte dos "contra aborto" batem nos peitos para declarar que a mulher não tem direito ao corpo a partir do momento que tem uma "vida" dentro dela, mas em caso de estupro se dizem a favor. Ora, mas a tal vida perde o valor quando vem dum estupro? 

Mais um jênio que acredita na infalibilidade dos contraceptivos

Mas a principal razão pela qual escrevo este texto, é porque gostaria de responder uma das mais estúpidas afirmações disseminadas por fundamentalistas religiosos, pró-vidas e outros ignorantes. Um belo dia topei com a seguinte pérola em minha TL:

"É muito fácil ser a favor do aborto se você já nasceu"

 Bom, é evidente que se minha mãe tivesse me abortado, eu não teria nascido. Mas eu também não teria nascido se vários fatores tivessem ocorrido. Esse "argumento" pode se estender a qualquer método contraceptivo. Porque se meus pais estivessem usando algum método contraceptivo que não tivesse falhado quando eu fui concebida, eu não teria sido concebida. Porque eu não sou simplesmente um óvulo mais um espermatozoide, mas O óvulo que foi fecundado pelO espermatozoide; as circunstâncias são únicas. E, claro, se meus pais não tivessem feito sexo naquele exato momento, eu também não teria nascido.

Nunca pensei que diria isso, mas, no que se refere a questões reprodutivas, a igreja católica ainda é a mais coerente. Porque pelo menos o papa diz: "não pode fazer sexo anal porque assim não faz bebê", "não pode se masturbar porque assim não faz bebê", "não pode usar preservativo porque assim evita bebê", "não pode tomar pílula anticoncepcional porque assim evita bebê", "não pode fazer sexo homossexual porque assim não faz bebê", e assim por diante. A única falha é aceitar o celibato. Porque não existe nada mais eficaz para se evitar gestações que o celibato. Aliás, a única forma 100% eficaz de se evitar gravidez é não fazendo sexo vaginal heterossexual. Então é fácil ser a favor do celibato se você já nasceu.  

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Viajando para abortar na América do Sul - Guiana

Enquanto o governo brasileiro trata as brasileiras como chocadeiras, é preciso encontrar alternativas para se exercer o direito humano de abortar. Viajar para outro país mais desenvolvido (ou às vezes nem tanto...) onde o aborto é permitido por lei não é ilegal, embora seja caro.

Aqui na América do Sul há poucas alternativas. Isso porque, embora o Uruguai tenha legalizado o aborto a pedido até a 12ª semana de gestação, ele só pode ser feito por quem mora no Uruguai há pelo menos doze meses. Ou seja, o país cuidou de "suas" mulheres, mas não estendeu a ajuda às irmãs sul-americanas. As outras opções na América do Sul continental são a Guiana e a Guiana Francesa, que nem é um país, mas um território ultramarino francês. As ilhas Curaçao e Aruba, territórios pertencentes ao Reino dos Países Baixos, também são alternativas. 

A Guiana é um país que foi colônia do Reino Unido, portanto seu idioma oficial é o inglês. Algumas pessoas descrevem o sotaque de lá como semelhante ao jamaicano, mas eu não posso validar essa informação. Faz parte do Commonwealth, o que provavelmente explica a política no que se refere ao aborto, já que sua cultura é mais ligada à do Caribe. A parte mais urbanizada e povoada do país é o litoral, onde fica a única cidade grande, que é a capital Georgetown. Precisa tomar vacina contra a febre amarela pelo menos dez dias antes da viagem.

A principal vantagem é o aborto barato na Family Association of Guyana. A última informação que tenho é de que o aborto cirúrgico custa 35 euros (cerca de R$115,00), e, tanto o ultrassom como o aborto medicinal (com misoprostol), custam 15 euros (cerca de R$50,00).

Contato da Clínica Family Association of Guyana in Georgetown:
Telefone: 00 XX 592 225-4743
Endereço: 69 Croal Street, Georgetown, Guiana
Email: fpagrhc@gmail.com


As maiores desvantagens são acesso difícil e passagens caras. Destino de mochileiro(a), a Guiana é um país predominantemente dependente do setor primário. Com todo o respeito, devo admitir que é uma viagem para quem curte aventura. Na situação do abortamento, estamos falando duma mulher grávida que está correndo contra o relógio. Passar por uma viagem difícil e cansativa não me parece a melhor alternativa.

Outra coisa importante é que é um país bastante inseguro. Apesar dos baixos níveis de analfabetismo, há muitas queixas relacionadas a assaltos. O pior é que há relatos de estupros coletivos, portanto não é recomendado que mulheres viajem para lá desacompanhadas. Sem contar que, comparando com o Brasil, é particularmente revoltante que num país que criminaliza a relação homossexual entre homens e pune a prática de sodomia com prisão perpétua, o aborto seja legal a pedido até a 12ª semana de gestação. Mas enfim...

Quem mora na região norte leva vantagem. A companhia aérea Meta infelizmente não está mais em atividade, ela operava voos diretos de Boa Vista - RR para Georgetown. Atualmente, não há voos diretos do Brasil para Georgetown. Os voos com escalas são caros (cerca de R$4.100,00 a ida e volta), muitos deles passam pelos EUA. É preciso tomar cuidado com as escalas, pois para alguns países é preciso visto. Para escala no Panamá e Trinidad e Tobago não precisa.

É possível atravessar a fronteira de Bonfim- RR de táxi e chegar até a cidade de Lethem, de onde partem monomotores ou bimotores que levam para o aeroporto de Ogle, a apenas 9 km do centro de Georgetown. Essa é a forma que descrevo a seguir; mais barata, porém sofrida.

Como chegar a Georgetown:

1º - Chegar a Boa Vista em Roraima

Pegar um voo doméstico ou um ônibus. Voos de São Paulo pra Boa Vista variam entre R$1.000,00 e R$2.000,00 a ida e volta. Ou seja, caro bagarai.

2º - Chegar a Bonfim em Roraima

Ônibus da antiga Amatur fazem Boa Vista-Bonfim por R$13,00 (última informação).

3º -  Da fronteira a Lethem

Há táxis da fronteira até Lethem por R$ 20,00 ou G$ 2.000 (dolares guianenses) por pessoa. Atenção, melhor fazer câmbio em Boa Vista. 

4º - Pegar avião para Georgetown:

Melhor não ir de carro. A estrada é de terra na maior parte, não tem sinal pra celular, e os serviços são escassos... É tipo filme de tragédia na floresta, sem brincadeira. Pra quem curte parar pra dormir em redes no meio do caminho, turismo de aventura e afins é um prato cheio. Mas não aconselho uma mulher numa situação delicada como essa a encarar de 12 a 36 horas de viagem numa van. E atenção, não coma palmito no meio da estrada nem beba água de lá. Leve suas garrafas de água mineral.

De avião o trecho é Lethem (LTM) - Ogle (OGL). Ida e volta pela Air Services Limited custa cerca de R$ 440,00. Pela TGA (Trans-Guyana Airways) fica cerca de R$ 600,00. Táxi para o centro de Georgetown sai cerca de R$20,00 (9km).

Orçamento total médio do transporte: R$2.126,00 por pessoa. Quem achou que é mais fácil ir para os States levanta a mão! \o/


A Guiana Francesa é um pedaço da França fazendo fronteira com o Amapá. Imagino que seja um lugar ótimo para se visitar a passeio, mas, para abortar, não creio que seja uma boa escolha. Acho até que é mais fácil ir para a França, pois a grande quantidade de brasileiros atravessando a fronteira procurando ganhar em Euro acarretou a exigência de visto, o que não é preciso em viagens para a França. Imagino que seja uma boa alternativa apenas para as moradoras do Amapá; talvez do Pará também, porque há voos internacionais que partem de Belém. Mas pretendo publicar outra postagem com todos os detalhes e valores dessa viagem.
  

Carta aberta para o Presidente José Mujica Cordano

Na América do Sul, o aborto é legal a pedido em apenas dois países: Uruguai e Guiana. Fora isso, temos os territórios autônomos Aruba e Curaçao, que fazem parte do Reino dos Países Baixos, logo a lei é holandesa (aborto legal a pedido até 24 semanas de gestação); e a Guiana Francesa, que é território ultramarino francês, logo a lei é francesa (aborto legal a pedido até 12 semanas de gestação). 

Das cinco opções anteriormente citadas, o Uruguai é o país de mais fácil acesso para as brasileiras. Se não fosse por um pequeno problema... O aborto só está disponível para as moradoras de lá, pois é pedido um comprovante de residência no país por pelo menos 12 meses antes do aborto. Legislação cuidadosamente projetada para evitar que estrangeiras procurassem os serviços uruguaios.

Pensando nisso, resolvi enviar uma mensagem para o Presidente do Uruguai José Mujica Cordano pedindo que ele considerasse revogar essa exigência. Imagino que se muita gente fizesse o mesmo, o Uruguai poderia mudar a política e conceder ajuda às companheiras sul-americanas. Segue a mensagem que mandei:

Português

Querido Pepe,

Meu nome é Patty, e eu sou brasileira. Tenho grande admiração pelo Uruguai e adoraria conhecer o país. Fiquei muito feliz com as políticas progressistas recentemente implementadas em seu governo, por isso tenho um apelo para fazer.

Estima-se que aqui no Brasil morram pelo menos 180 mulheres ao ano vítimas de abortos inseguros; sem contar as que sobrevivem com sequelas. A legislação é terrivelmente restritiva e prejudica principalmente as mulheres pobres, porque até o medicamento misoprostol foi proibido no país.

Fiquei muito triste ao saber que a legalização do aborto no Uruguai não beneficia as brasileiras. Atualmente Guiana e Guiana Francesa são os únicos destinos na América do Sul para onde brasileiras podem viajar quando precisam dum aborto, mas o acesso aos dois países é muito difícil. As passagens de avião são caras e cheias de escalas, e o acesso por via terrestre é muito sofrido.

Sendo assim, gostaria de pedir que fosse revogada a exigência de moradia no Uruguai há pelo menos 12 meses para a realização do aborto. Tal medida seria caridosa para com as irmãs sul-americanas. O acesso ao Uruguai é muito mais fácil e barato, o que poderia salvar vidas de muitas mulheres.

Abraços

Español

Querido Pepe,


Mi nombre es Patty y yo soy de Brasil. Tengo una gran admiración por Uruguay y me encantaría conocer el país. Me hice feliz con las políticas progresistas aplicadas recientemente en su gobierno, así que tengo que hacer una apelación.

Se estima que en Brasil, al menos 180 mujeres mueren anualmente víctimas por abortos inseguros; sin contar las que sobreviven con secuelas. La legislación es terriblemente restrictiva y afecta principalmente a las mujeres pobres, ya que hasta la droga misoprostol fue prohibida en el país.

Me entristeció saber que la legalización del aborto en Uruguay no beneficia a las brasileñas. Actualmente Guyana, Guayana Francesa, Curazao y Aruba son los únicos destinos en América del Sur donde brasileñas pueden viajar cuando hay necesidad de un aborto, pero el acceso a estos países es muy difícil. Los billetes de avión son caros, con muchas escalas y el acceso por tierra es muy sufrido.

Por lo tanto, quiero pedir que el requisito de residir en Uruguay durante al menos 12 meses para un aborto sea derogado. Tal medida sería caritativa con las hermanas de América del Sur. Acceso a Uruguay es mucho más fácil y más barato, lo que podría salvar la vida de muchas mujeres.

Abrazos

domingo, 17 de agosto de 2014

Comentando: atestado de "virgindade" e feminicídios em Goiânia

Neste vídeo comento dois eventos recentes: a exigência de atestado de "virgindade" para posse em cargo público e a onda de feminicídios em Goiânia - GO.

Devido à falta de tempo, acabei comentando em vídeo esses assuntos, que são bastante relevantes.