domingo, 28 de junho de 2015

Vingança Mortal - Resenha

No final do ano passado, a escritora Raquel Machado me convidou para uma parceria: eu leria seu livro "Vingança Mortal" e escreveria uma resenha a respeito, e ela leria meu livro "Doce Ardor" e também escreveria uma resenha.

Não demorei muito para ler a obra, mas alguns fatores acabaram atrasando a publicação da resenha,
Alex fazendo divulgação
que finalmente publico aqui:

O título "Vingança Mortal" é um nome bem pesado, que, a princípio, parece se opor à leveza da história. Entretanto, ao longo da narrativa, percebemos a presença duma aura violenta nela.

O livro conta uma história sobre um grupo de amigos e amigas que se conheceram na adolescência, mas se afastaram na idade adulta. A morte de uma delas, a Nicole, acaba proporcionando um reencontro. Brenda, a protagonista, começa a suspeitar das circunstâncias de sua morte e decide investigar, então o suspense começa a surgir.

A história se passa em duas cidades do Rio Grande do Sul: São Francisco de Paula, onde o grupo passa a adolescência, e Caxias do Sul, onde a protagonista e seu marido moram depois de adultos.

A narrativa segue Brenda, que investiga as condições suspeitas da morte de Nicole e descobre uma série de surpresas numa rede de mistérios muito bem entrelaçada. Também temos alguns conflitos amorosos e personagens que escondem segredos obscuros sob uma aparência confiável.

O estilo me remeteu aos livros do ensino fundamental. Um pouco pela extensão, pois é uma história que se desenvolve em relativamente poucas páginas, e outro pouco pelas descrições da adolescência do grupo em momentos de flashback.

A capa é bem interessante; mostra um olho feminino sob uma rede rodeada por algo que parece ser fogo. É bastante adequada à trama.

Não vou comentar muitos detalhes da história, pois qualquer revelação pode estragar as surpresas. Adianto apenas que o final é surpreendente e tem uma tirada bem legal.

domingo, 21 de junho de 2015

A história de "Doce Ardor"

Em 2010, eu escrevi um livro de ficção (em tese seria o primeiro da série Pimenta & Cereja). É romance pela extensão, pois tem cerca de 90 mil palavras, mas o gênero mais próximo é fantasia urbana. A história é sobre a agente secreta Blutig Pfeffer, que acorda dum coma com a memória comprometida. Ela é uma jovem mulher independente e durona, mas que carrega uma forte angústia. O conflito principal da história é a busca de Pfeffer pela verdade escondida em seu passado; uma jornada de autoconhecimento.

Teve gente que reclamou do nome Blutig Pfeffer, que não é nada além de "bloody pepper" em alemão. Estrangeirismo em inglês a galera aceita bem, mas em outras línguas sempre rola um estresse. Fora que existem razões para que ela tenha esse nome, não é um reles capricho da autora. Mas enfim, desabafo feito, vamos em frente.

A história mistura elementos fantásticos com ação e romance. Os elementos eróticos ficam por conta dos paqueras de Pfeffer: o misterioso vampiro Hades e seu chefe Ricardo. Nenhum deles é perfeito, mas Pfeffer também não é, como as pessoas do mundo não são.

No início de 2011, quando a primeira versão ficou pronta, eu optei pelo serviço de autopublicação do Clube de Autores, site pioneiro em colocar livros virtuais a venda para serem impressos sob demanda no Brasil.

Alex fazendo divulgação de "Doce Ardor"
A ideia foi muito legal em teoria, mas o livro físico ficava muito caro lá. Fora que a qualidade de impressão não era das melhores. Com isso, ficou difícil vender os livros, e a publicação lá funcionou melhor para eu mesma comprar unidades, revisar e ceder para parceria e resenhas.

O legal é que mesmo aquela edição inicial cheia de erros agradou muita gente. A maioria das pessoas que leram, mulheres e homens de várias faixas etárias, gostaram. Foram publicadas várias resenhas positivas, as quais compartilho nos links a seguir:

Vicky Doretto
Joe Silva
Carla Ferreira
Débora e Alessandra
Mariana Dal Chico
Mayara Braga
Renato Klisman
Bih Lima

Apesar disso, não consegui publicar por nenhuma editora. Até recebi alguns contatos, mas nenhum resultou em publicação, infelizmente. O mercado editorial brasileiro é profundamente assustado. O medo de arriscar prejuízos é muito grande, e a maioria das editoras acaba apostando em títulos já bem sucedidos no exterior, principalmente nos EUA. A principal atividade das editoras brasileiras é comprar direitos de publicação de livros gringos e só se preocupar com a tradução.

No Brasil, ver TV é a atividade preferida - fonte Prolivro 
Existem várias razões que levam a esse fenômeno grotesco. Para explicar, é preciso falar do mercado editorial dos EUA. Lá são publicados livros sobre tudo, o que leva a saturação. O público tem maior hábito de leitura (tem caído, chegando a cinco livros por ano em média). No Brasil, o número médio de livros lidos por ano ficou em torno de quatro em pesquisa feita em 2011. Mas a diferença mais gritante está nos números de quem não leu nenhum livro no ano anterior. Nos EUA esse número ficou em torno de 23% em 2014, mas no Brasil chegou a 70%.

Infelizmente, a cultura brasileira é predominantemente audiovisual; a maioria dos entrevistados na última pesquisa Prolivro apontou ver TV como a atividade mais prazerosa.


Mas existem outras questões, como o preço do livro, por exemplo. Os custos de produção são elevados no Brasil, em parte devido à forma como os impostos são aplicados. Além disso, nos EUA existe um processo de barateamento dos livros após cerca de um ano do lançamento, com a impressão na modalidade brochura, de papel mais barato.


A última remessa
O que nos leva a minha situação atual. Uma colega sugeriu que eu publicasse "Doce Ardor" na loja da Amazon, e devo dizer que a experiência tem sido boa. Mesmo sendo impresso nos EUA, o livro acaba saindo mais barato, e a qualidade de impressão é muito melhor. E ainda tem versão para Kindle disponível, por apenas R$6,43.

Há alguns dias chegou o último lote que comprei. Minha intenção é disponibilizar para algumas das pessoas lindas que apoiam meu ativismo.
Quem adquirir vai receber uma unidade de Doce Ardor com dedicatória personalizada. São poucas unidades, que estou vendendo pelo valor promocional R$45,00 com frete incluso.

Não é fácil dedicar tempo para manter um blog e um vlog só por ideologia, mas as mensagens das (muitas) pessoas que já ajudei me ajudam a continuar. Só que só as mensagens não pagam as contas... Por isso fiz esta postagem. Eu poderia estar roubando, mas não. Estou aqui tentando vender meus livros no blog. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo e-mail pattykirsche@gmail.com.

domingo, 24 de maio de 2015

Um abusivo sanguessuga

Há alguns dias, recebi uma mensagem da B. contando sobre a triste experiência que teve com um homem abusivo. Ele dizia ser bissexual com preferência maior por homens, mas eu acabei concluindo que se tratava dum gay enrustido. 

Uma das principais razões pelas quais mulheres entram em contato comigo é para tirar dúvidas sobre homens abusivos. Eu sempre peço que elas escrevam suas histórias para auxiliar no processo de cura e ajudar outras mulheres. Inclusive já publiquei outro guest post nesse estilo este mês.    

Compartilho agora o guest post da B.

A primeira vez que eu o vi foi em cena. “Que ator talentoso!", pensei. Acabei passando no mesmo ano na mesma faculdade de artes cênicas em que ele estudava, e, no início das aulas no ano seguinte, ele veio me dizer o quanto eu era linda. Depois de alguns dias, nos encontramos numa festa de calouros e fiquei com ele; apenas um beijo. No dia seguinte, ele veio falar que adorou nossa química e esperava repetir aquilo de novo.

Perguntei se ele era gay, pois a maioria dos meninos na faculdade eram. Ele respondeu que não, mas depois disse que já tinha ficado com meninos, dizendo que era “normal, né”. E, sinceramente, para mim realmente poderia ser normal, pois eu mesma sou bissexual e já namorei mulheres, inclusive. Ficamos nesse flerte e sorrisos por alguns meses e, depois nos esquecemos entre todos aqueles alunos, até o início do segundo semestre, quando nos encontramos em uma peça de teatro e começamos a conversar mais profundamente. Apesar da diferença de 8 anos de idade entre nós (ele 24 e eu 32), ele era muito inteligente, e sua prosódia era encantadora!

Começamos a ficar; foi gostoso, apesar de nunca esquentarmos muito. Uma vez, ele me disse que minha boca tinha o cheiro da boca da mãe dele, e isso afastava um pouco a vontade de me beijar. Conforme fomos nos conhecendo, eu aprendi mais sobre a complexidade dele. A primeira era em relação ao sexo, pois, aos 24 anos, ele ainda não tinha transado com uma mulher; apenas com homens.

Transamos a primeira vez depois de dois meses de namoro. O temperamento controlador de início foi ficando mais agressivo conforme o tempo passava. Ele começou a pedir para dirigir meu carro, e fui deixando. Qualquer “cuidado!” que eu gritava era motivo de um escândalo e murros no painel.

Primeiro foi na direção; depois, quando começamos a tentar transar, foi no sexo. Ele se irritava quando eu fazia alguma "cara". Foi difícil acertar o que fazer, até o momento em que eu tinha que ficar quieta e dura, sem expressão nenhuma, para ele conseguir transar comigo. Ele percebeu que sentia mais tesão quando me beliscava ou me batia, e, como eu queria que ele me desejasse, acabei permitindo.

Só que, de alguma forma, aquela agressão no sexo foi passando a existir no nosso cotidiano, nas coisas mais simples. Passamos por essa fase de tentar transar, pois ele foi perdendo o interesse. Segundo ele, eu queria gozar mais de uma vez e insistia em fazer "cara de vagabunda" (juro que não fazia mais nenhuma expressão, ficava quase impassível).

Vocês não imaginam a vontade que eu sentia de transar com ele. Eu o abraçava forte algumas vezes, e isso o deixava irritado. Muitas vezes, ele me mandou deitar na outra cama, pois eu não estava "merecendo" estar ali já que não sabia me controlar. Já não transávamos mais, e ele nem me beijava; eu me contentava com o abraço na hora de dormir.

Nessa época, ele passou a ficar arisco com o celular, escondendo muito e constantemente irritado e agressivo comigo. No penúltimo dia do ano, íamos passar a virada juntos, e ele estava tão compenetrado no celular, enquanto conversávamos inclusive, que acabei esperando ele dormir e mexi no celular dele.

O que eu encontrei foi muito dolorido: vários aplicativos de encontros gays e muitas conversas no whatsapp com homens, inclusive marcando de transar, ou revelando como foi a transa. Não aguentei e o acordei, mas nesse dia eu senti medo de verdade. Ele já tinha feito várias coisas; quebrado vários objetos, inclusive equipamentos eletrônicos bem caros meus, mas, nesse dia, achei que ele fosse me matar.

Eram quatro da manhã, e fui levá-lo para sua casa. Ele insistiu que iria dirigindo; a esta altura eu não tinha mais nenhum poder sobre meu carro. Ficamos uma semana sem conversar, mas eu não conseguia ficar longe dele e mandei um e-mail pedindo desculpas por invadir sua privacidade e prometendo que isso jamais aconteceria novamente. Acabamos voltando, e ele voltou a ser mais carinhoso e sentir mais tesão comigo.

Ele era bem pão duro apesar do bom salário, mas, logo depois que voltamos, ele saiu do emprego. Quem passou a sustentá-lo fui eu, e isso foi se tornando natural para ele, que foi ficando bem folgado. Ele ainda ficava bravo quando eu não pagava algo ou falava que precisávamos cortar despesas, tipo comer fora.

Era estranho, pois apesar de estarmos mais próximos, eu tinha virado uma uva passa. Muitos amigos me
diziam que eu tinha perdido o brilho, e eu sentia isso também. Eu o servia o tempo todo; cozinhava, arrumava a casa dele, lavava louça, enquanto ele ficava deitado jogando vídeo-game. Eu não sei por que eu estava feliz em cuidar dele.

Vocês podem imaginar como eu fiquei quando ele voltou a ficar com vontade de sair com homens de novo, né? Pois ele ficou... Tenho impressão de que, junto com o tesão de sair com homens, veio mais agressividade. E passei por maus bocados novamente; cheguei a filmar uma destas explosões de ódio dele, mas apaguei com medo de que ele achasse. Ele sempre olhava meu celular, então em nunca falava com ninguém sobre ele. Mesmo porque, em muitos momentos, ele era um homem maravilhoso, querido, amigo, engraçado... E era assim que todos o viam; eu não me sentia no direito de deixar as pessoas saberem como ele era na intimidade.

Pela primeira vez, pedi um tempo. Percebi que eu tinha começado a ficar louca como ele, pois havia perdido o centro; comecei a gritar e responder. Ele não chegou a bater forte ou dar tapas, mas ele me segurava e empurrava. Eu vivia com os braços roxos e cara de doida. Quando eu estava sozinha, comecei a brigar no transito, a ser mais grossa com as pessoas. Uma amiga disse que eu estava perdendo a doçura e a meiguice que sempre tivera.

Mas, novamente, não aguentei ficar longe dele e não segurei minha decisão de dar um tempo. Fui atrás dele de novo, mas ele não quer, por enquanto. Ele me culpa por não ter tido paciência; diz que naquele momento estava mais próximo de mim e logo voltaria a sentir vontade de transar comigo.

Pior que estou realmente me sentindo culpada por esta tristeza toda, pois talvez ele nunca mude, mas imagino que talvez ele fosse mudar e eu tenha me adiantado. Não sei o que pensar na verdade; só sei que estou há um mês sem ele e planejando uma viajem para melhorar a cabeça. Engordei muito neste último mês e só choro; até atrasei a entrega de trabalhos.

Estou muito triste, com uma grande sensação de incapacidade. Fora que a autoestima desapareceu. Acho que vou ficar dois meses num spa e vender o carro (detalhe, ele me deixou 2 mil reais em multas).

Eu quis compartilhar minha história pois sei que pode ajudar alguém. Não fiquem com homens que não sabem quem são. Participar da auto descoberta de alguém pode ser muito dolorido. 

Minha resposta:

Puxa, que história triste, B. Não volte com ele de jeito nenhum. Esse homem não gosta de você. 

Quanto ao seu questionamento, eu digo que ele não vai mudar. Por várias razões.

a) Ele é gay, o que significa que, via de regra, ele não sente atração sexual por mulheres. 

Acredito que ele mesmo se rejeite. Na nossa cultura, a construção social da masculinidade depende muito da heterossexualidade. Então, o homem que não é hétero se sente menos homem. Infelizmente, é muito comum que gays enrustidos se relacionem com mulheres para se sentirem mais "homens";

b) Ele é misógino, portanto sente prazer em maltratar e explorar mulheres;

c) Ele é abusivo, logo agressivo com parceiras;



d) Ele é uma pessoa visivelmente sem empatia, talvez até um psicopata. É muito comum que psicopatas sejam carismáticos.

O sujeito ter coragem de dirigir seu carro, pegar multa e deixar para você pagar... Quer dizer, ele faz o que quer e não está nem aí. Você poderia até processá-lo judicialmente para que ele pagasse.
A verdade é que você era um objeto para ele, que ele sugou de todas as formas possíveis. Usou sua presença como namorada para se fantasiar de bi, usou seus bens materiais, explorou sua força de trabalho e ainda satisfez suas pulsões sádicas cometendo violência psicológica contra você. 

Agora é momento de cuidar de si mesma. Sua autoestima está baixa agora, mas vai melhorar. Você só voltou com ele tantas vezes apesar de tudo porque você não se considera merecedora de ser feliz de verdade. Foi se esforçando para agradar um homem que nunca estava satisfeito com nada a troco de migalhas, praticamente implorando para que um homem que não sente atração por você use seu corpo. Afinal, você sentia prazer se esforçando para ficar parada e inexpressiva durante a relação sexual?   

Ele era profundamente cruel com você. E em algum momento você não vai entender como aguentou tanto desaforo. 

Boa sorte. 

domingo, 17 de maio de 2015

Viajando para abortar - Cidade do México

A Cidade do México é o distrito federal do México que, a exemplo dos EUA, permite diferenças de leis entre seus estados. Seguindo esta linha, o aborto ainda não foi descriminalizado no México inteiro, apenas na capital.

O México acaba sendo uma boa opção para interromper gestações porque:

a) Brasileiras não precisam de visto, apenas de um passaporte válido;
b) O procedimento é barato; cerca de R$500,00 fora a anestesia;
c) O prazo é de 16 semanas de gestação;
d) É uma viagem relativamente barata, tanto no que se refere às passagens como hospedagem;
e) Espanhol, o idioma oficial do México, é semelhante ao português, o que pode ajudar na comunicação de quem não fala outras línguas;
f) Diversos sites divulgam informações sobre clínicas.

Várias companhias, entre elas Tam e Avianca, operam voos diretos ou com escalas em Bogotá, Lima e Cidade do Panamá partindo de São Paulo e Rio na faixa de US$500,00 (simulação em junho de 2015). É preciso tomar cuidado com a necessidade de tomar vacina contra a febre amarela caso o voo tenha escala na Colômbia ou no Peru. Para escalas nos EUA, é preciso visto de trânsito. Como vistos para os EUA demoram algum tempo, voos com escala no país não são uma boa ideia para quem não tem.

Dicas para não ser apanhada de surpresa:

a) Ter sempre um passaporte válido;
b) Ter o certificado de vacinação contra febre amarela (emitido a partir de dez dias após a aplicação da vacina);
c) Se possível, obter um visto para os EUA;
d) Reservar sempre uma poupança para emergências.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Quando uma mulher vira moeda de troca

Há alguns anos, eu tive um relacionamento do qual me arrependo bastante. Durou pouco; o tempo de eu perceber que as coisas não funcionariam de jeito nenhum. A tentativa de manter a amizade foi um desastre, inclusive já é desse período o episódio sombrio que vou narrar agora.

Eu conheci M. num grupo de fãs duma banda de rock na internet. Numa tentativa de transformar a amizade virtual em real, o grupo teve alguns encontros e, numa ocasião em que só nós dois comparecemos, o rolo começou.

No começo, ele era gentil e interessado, mas logo começou a se mostrar possessivo, irritantemente ciumento e sutilmente agressivo. O quão ciumento? Uma vez ele cismou que eu havia olhado para um cara e fez uma longa cena. Eu nem havia visto o sujeito, mas escutei por vários minutos afirmações do tipo: "Gostou dele? Vai atrás".

Nem preciso dizer que isso foi desgastando a relação. Como ele morava em outra cidade, nós só nos encontrávamos no final de semana. Para mim estava tudo bem, mas ele ficava dizendo que não tinha como "dar certo" se ele não podia passar na minha casa depois do serviço. Isso foi evoluindo para o momento em que ele começou a me tratar mal e cortar o retorno afetivo. Deixou de falar em "nós" e só falava nele mesmo.

Quando ele começou a falar que não queria nada "sério", apesar de suas violentas cenas de ciúme, percebi que era o momento de sair da relação. A ruptura foi pacífica, mas dolorosa. Pouco tempo depois, entretanto, eu viria a perceber que ele não merecia meu sofrimento.

Alguns dias após o término da relação, seria o aniversário duma garota do grupo, a S.. Ela desejava comemorar seus 17 anos (com RG falso) num show que aconteceria numa casa noturna. E eu fiz a besteira de ir. Besteira porque eu não precisava passar pelo que passei lá. Sabe quando uma pessoa se transforma? Então. Meu ex virou um monstro após o término da relação. Eu não conseguia acreditar que eu havia dormido com aquilo.

O pior foi que ele teve uma epifania de repente. Cismou que quem ele realmente queria era a S., mesmo ela sendo menor de idade quando ele estava com 26 anos na cara. E, claro, a culpa por ele não ter ficado com ela era minha. Então ele começou a me tratar muito mal; foi grosso diversas vezes. Ficou parecendo que eu era uma louca dando em cima dum cara que nunca me quis. Sendo que eu nem estava flertando com ele, só sendo amigável.

O ponto alto da noite foi quando S. e eu subimos numa espécie de palco para dançar. As coisas estavam divertidas, mas, enquanto dançávamos, vi um sujeito abordando M., que estava na pista. O cara ficou apontando para cima do palco, e achei que ele estava dizendo que era proibido dançar ali, ou algo assim. Mas logo M. chamou S. para conversar. Ela se abaixou para escutar algo em seu ouvido, e eu pude ver que M. estava passando a mão no rosto dela em ritmo de flerte. Logo ele já estava pegando no tornozelo dela.

Eu achei a cena no mínimo de péssimo gosto, mas perguntei a ela o que acontecia. Ela disse que o dono do lugar havia oferecido champanhe para nós em troca de ficar com ela, mas que M. havia negociado seis lugares no camarote VIP (onde haveria Heineken de graça) para a gente.

Ele negociou uma adolescente de 17 anos com o dono da boate. Sério.

Quando eu questionei, ele foi mega desagradável. Perguntou se eu queria que ele colocasse uma coleira na S. Senti vontade de ir embora na mesma hora, mas eu não havia saído só com ele. Já era madrugada, e meu carro estava no prédio em que outra moça do grupo morava, mas ela só ia embora quando o metrô abre, às 4h40. Eu me arrependi por não ter simplesmente encontrado o pessoal lá, mas eu não esperava que ia topar com aquilo.

E ele continuou sendo um escroto pelo resto da noite. Na saída, ele começou a se gabar por ter negociado camarote VIP com o proprietário, e eu falei na cara dele que ele havia bancado o cafetão. Claro que ele não gostou. Mas, àquela altura, eu não poderia me importar menos com o que ele achava.

Infelizmente, ainda levei alguns meses para ter coragem de excluir completamente aquele traste de minha vida, porque tínhamos muitos amigos e amigas em comum. E o pior é que a maioria do grupo ficou do lado dele, o que tornou o período ainda mais difícil. Eu fico impressionada que tanta gente não tenha visto nada demais nas ações dele.

Mas, depois que consegui, foi um grande alívio. Claro que a conduta toda dele foi absurdamente reprovável. Contudo, tê-lo visto negociando a sexualidade duma garota menor de idade por quem ele supostamente estava interessado em troca de bebida ficou na minha memória como o momento mais baixo dele. Afinal, se o sujeito não respeita uma, não respeita nenhuma. Ele já estava desrespeitando a mim, com quem ele havia tido um compromisso afetivo nos meses anteriores, mas vê-lo tratando outra mulher como objeto serviu para ilustrar bem diante de meus olhos que tipo de gente ele era. E com esse tipo de gente, eu não quero contato.

O mais interessante é que, alguns dias depois, ele teve coragem de me dizer que pela forma como agi naquela balada, ele tinha tido certeza de que nós jamais daríamos certo. Haha, é recíproco, darling.

A lição que fica é sobre violência simbólica. Muita gente acha que violência é só porrada, mas uma agressão pode aparecer na rispidez da voz ou num olhar de desdém. Uma agressão psicológica pode ser tanto ou até mais grave que uma agressão física, por isso é sempre importante analisar a situação fora duma perspectiva de senso comum.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Boss Ass Witch

What the fuck, I ain't smokin' hot? Bust me down?
You the same clown white suckin' porn in your mama house?
Now you all smug with your new pussy

I said, rule #1 to be a boss-ass witch
never let a white dick try to play you
if he play you then rule #2
write about the shit he done in your blog
Also write a novel tellin' all the truth
'bout how he worked so hard to lose you

And tell him that your friends know about his Lolita taste
And that's rule #3: I'm gonna go on with my life
Follow my dreams, things that I wish
But that's just 'cause I am a boss witch

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Vivendo um relacionamento abusivo

Desde que comecei o blog e o vlog, a maioria das mensagens que recebo de mulheres se referem a relações abusivas. Muitas chegam a mim procurando informações sobre misoginia, geralmente quando percebem que estão sendo vítimas de violência de gênero. A L., que escreveu este guest post, foi uma delas.

Agora L. já conseguiu sair da relação e está se recuperando, mas ela passou por um verdadeiro calvário. Pensando no quanto compartilhar essa experiência poderia ajudar outras mulheres (e a própria L. no processo de cura), pedi a ela um guest post, o qual publico aqui:

Permaneci por dois anos e meio em um relacionamento abusivo. Sofria violência física e tortura psicológica.
Morávamos juntos, e eu era totalmente dependente dele. Todo dia eu pensava em suicídio.
Quando tomei coragem e terminei, achei que as coisas iriam melhorar. Caí em depressão profunda, e a ideia de suicídio permaneceu. Ele veio atrás durante um tempo, com promessas de melhora, mas permaneci forte.

Não tive apoio moral da família. Inclusive, depois de ter voltado para casa um lixo (e 30 kg mais gorda), minha mãe perguntou o que EU tinha feito de errado para o relacionamento não ter dado certo.
Fui atrás dos amigos e pedi perdão por ter me afastado, por ter 'escolhido' ficar com o parceiro e não com eles (mesmo que forçadamente). Eu me agarrei aos amigos, que me distraiam, me tiravam de casa mesmo quando a vontade era de morrer. Foquei nos meus estudos e, hoje, depois de um ano e meio, comecei terapia.

Estou me sentindo muito melhor e seguindo a minha vida. Aos poucos estou aprendendo a me amar.
Meu único arrependimento foi não ter denunciado aquele monstro, mas não consegui por medo, puro medo. Cruzei com ele algumas vezes por aí, tremi por dentro, e o medo tomou conta. Não nos olhamos, agimos como dois desconhecidos. Espero não o ver nunca mais.

Tudo o que acontecia de ruim no relacionamento, ele dizia que a culpa era minha, e eu absorvia essa culpa. Ele era ciumento e, quando bebia, se tornava agressivo; muitas vezes até me batia. Ele dizia que eu não prestava e quando voltava a sanidade, ele colocava a culpa na bebida; pedia desculpas, e eu aceitava. Uma vez entramos num acordo que ele nunca mais beberia. Ele nunca mais bebeu. Quando achei que as coisas melhorariam, ele continuou me agredindo sóbrio.

Eu fazia todo o serviço da casa, e ele colocava defeito em tudo que eu fazia. Ele colocava defeito em tudo que eu falava e na forma como eu pensava. Jogava na minha cara que eu não prestava. Em certo momento comentei sobre minha vontade de ser mãe, e ele disse que jamais teria um filho com alguém como eu, que eu teria que melhorar muito. Eu corria atrás de ser essa perfeição que ele queria, mas nunca ficava boa o suficiente. E eu me sentia cada vez pior. Esse meu sentimento de culpa era o que alimentava o ego dele.

Eu tinha um notebook, mas, alegando ciúmes, ele o quebrou inteirinho. Ele me obrigava a dar todas as minhas senhas de e-mail e redes sociais, até tentava recuperar emails antigos que eu não usava mais, só para saber com quem eu tinha contato. Comprei um outro computador alguns meses antes de me separar dele, mas, quando voltei para a casa de minha mãe, não pude trazê-lo por falta de espaço no carro. Ele disse que naquela semana levaria para mim. Passou uma semana, e ele não trouxe. Liguei para saber do meu computador, e ele tinha vendido.

Quando o conheci, eu tinha 24 anos e ele, 39. Ele já tinha sido casado duas vezes e tinha três filhos, dois deles adolescentes, que vieram morar com a gente um tempo depois. Esse fato fez com que as agressões muitas vezes acontecessem de forma mais sutil. Quando ele me agredia, eu começava a chorar, mas ele me mandava calar a boca para que seus filhos não ouvissem. E eu obedecia. Ele dizia que eu tinha que limpar toda a bagunça dos filhos dele. Muitas vezes eu não aceitava, pois não cabia a mim. Mas isso era só mais um motivo para agressões.

Eu prestei vestibular e passei. Ao invés de me parabenizar pela conquista, ele ficou nervoso, pois eu teria contato com outras pessoas. Quando as aulas começaram, por ser um curso integral, ele ia almoçar comigo todo dia na universidade e ficava até as aulas recomeçarem. Tudo isso para eu não ficar de papo com ninguém durante o almoço. Ele tinha ciúme até das meninas que me cumprimentavam.

Com algumas matérias do meu curso, descobri que violência não é só a física, pois existe a psicológica também. E, muitas vezes, a mulher é vítima e não se dá conta disso pois está muito ocupada se culpando por tudo de ruim que existe no relacionamento. Isso me levou a pesquisar mais sobre relacionamentos abusivos, mas sem que ele visse, é claro. Eu dava um jeito de não deixar rastros no histórico porque, se ele descobrisse, não sei do que seria capaz.

Depois de muito ler e pesquisar sobre, achei um vídeo da Patty falando sobre misoginia, e tudo se encaixou. Criei um e-mail fake e mandei um e-mail pra ela contando tudo o que estava acontecendo comigo, e ela me respondeu. Naquele momento, percebi que não estava sozinha, e isso me deu forças para sair da situação em que me encontrava.