sábado, 23 de março de 2013

Como o julgamento de Mizael virou julgamento de Mércia

Neste vídeo, faço alguns comentários sobre o tratamento que as vítimas de feminicídio recebem nos julgamentos de seus assassinos. Mulheres frequentemente são responsabilizadas pela violência que sofrem, e a defesa dos acusados procura aproveitar essa brecha cultural para inocentá-los. 

Não abordei no vídeo, pois já estava muito longo, a questão da "testemunha ômega" no julgamento de Mizael. Gostaria de deixar registrado aqui alguns comentários, entretanto. "Testemunha ômega" foi o nome pelo qual foi chamado o homem que viu um carro sendo jogado dentro da represa após ter ouvido gritos de mulher. A pergunta que faço é por que ele não chamou a polícia ao ver algo tão suspeito? 

As pessoas reclamam da incompetência da polícia, mas não querem ajudá-la. Por medo de se comprometer, as pessoas simplesmente se omitem diante dum assassinato. No caso da Daniela Perez aconteceu algo semelhante. Frentistas do posto em que ela foi capturada por Guilherme de Pádua viram o momento em que ele lhe deu um soco e a carregou para dentro do carro. Se eles tivessem ligado para a polícia, ela poderia ter sido salva. 
É muito frustrante pensar em quantos crimes horríveis poderiam ser evitados se as pessoas se envolvessem no que não lhes diz respeito. Então, vamos combinar: Se você vir algo suspeito como, por exemplo: 
  • alguém (ou um carro) sendo jogado num rio;
  • uma pessoa sendo agredida e jogada num carro;
  • um veículo correndo muito como se fugisse;
  • um veículo pela madrugada emparelhando com outros carros pra verificar quantas pessoas estão neles; 
  • um pedestre abordando condutores de carros no semáforo fechado;
  • ouvir gritos;
  • presenciar uma briga;
Você vai ligar 190 na hora. Pode ligar de orelhão, não precisa nem se identificar. Só faça a sua parte para evitar um crime. Não é trabalho só da polícia.   



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