quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Todo o machismo do rock

Eu venho de uma família bastante musical. Cresci ouvindo os discos de meus pais, que sempre foram muito ecléticos. A música sempre foi parte imprescindível de minha vida, inclusive durante o trabalho. Hoje em dia, eu vou tanto a shows, que investi uma grana num par de protetores auditivos feitos sob medida. Já fui a shows de vários estilos musicais diferentes, mas, devido a alguns acontecimentos recentes, resolvi escrever um texto sobre a sub-representação feminina no rock

O ambiente de shows de rock é, em geral, bastante hostil para mulheres. A dança do rock por si só é bastante violenta. Os roqueiros (a maioria homens) pulam e chutam formando rodinhas, e isso acontece principalmente em  músicas mais pesadas.
 
Apesar disso, comecei a ir a shows de rock na adolescência e nunca mais parei. Já sofri violência de gênero várias vezes. A primeira vez foi aos quinze anos num show do Camisa de Vênus. Eu não gosto dessa banda, mas eles estavam abrindo um festival com vários palcos, e eu acabei entrando na pista por mera curiosidade.  

Uma enorme roda estava aberta, mas, inexperiente que eu era, não percebi. Tenho certeza de que não foi por coincidência que eu fui derrubada logo em seguida, e um sujeito enfiou a mão entre minhas pernas quando eu não tinha nenhuma condição de me defender. Também não foi coincidência que quando isso aconteceu, Marcelo Nova cantava a todo vapor, sendo seguido num forte coro, "Silvia piranha". Um monte de homem cantando um hino misógino vai praticar o quê? Misoginia, é claro.
  
Foi horrível. Deve ter sido rápido, mas parece que durou uma eternidade até que eu consegui me levantar. E quando isso aconteceu, eu não tinha como identificar o agressor no meio de tantos jovens. Tudo que me restou foi sair da roda.

A história do rock é recheada de coisificação de mulheres. Existe uma lenda sobre o tratamento que o AC/DC dava a suas groupies: Para que a garota transasse com o vocalista, que era o mais assediado, deveria transar com todos os outros integrantes antes. Tudo bem que as meninas aceitavam, mas, será que a banda não deveria pensar que a maioria delas eram adolescentes?

A questão é que o rock é um ritmo musical via de regra produzido por homens para homens, e por isso mesmo é tão respeitado. Claro que também tem a ver com o fato de ser um estilo musical quase que predominantemente cantado em inglês, com grande produção internacional, intensamente popular na região sudeste do país e muito ouvido por pessoas que falam inglês, que tendem a ter maior poder aquisitivo. Uma vez eu li uma matéria sobre empresas que davam preferência a contratar candidatos e candidatas que gostam de rock.

Entretanto, artistas que agradam o público gay ou meninas são severamente ridicularizados(as). É bacana odiar artistas pop, mas não é bacana odiar artistas que fazem rock. E isso tem a ver com a predominância masculina no público e na produção de rock.

Aí aparece alguém idiota por aqui e diz: "Besteira isso tudo que você está dizendo porque o rock é muito melhor mesmo". Bom, quem disse que o rock é "melhor", seja lá o que isso significa? É bom lembrar que, quando Elvis apareceu, rock recebia o mesmo tratamento que o funk carioca recebe hoje porque era música de "preto", e a dança era considerada indecente.  

Só pra demonstrar um pouco a total predominância de homens na produção de rock, vou analisar os últimos quatro shows a que compareci. 

No Rock in Rio dia 19/09/2013, as atrações do palco principal eram: Metallica, Alice in Chains, Ghosts B.C e Sepultura & Tambours du Bronx. Confesso que não tenho certeza sobre Tambours du Bronx, mas todas as outras são compostas apenas por homens. As bandas dos outros palcos também seguiam esse padrão masculino.

E mais uma vez, fui vítima de violência de gênero num show. Um pouco antes do Alice in Chains subir ao palco, eu fui agredida por um misógino nojento. Eu andava com minha irmã perto da tirolesa quando um elemento começou a cercá-la tentando beijá-la a força. Ela tentava passar, mas ele não permitia, então eu o empurrei. Ele gritou de forma bem agressiva "se ela era minha mulher", algo bem desagradável de se dizer. Não só por sermos irmãs, mas porque mesmo que ela fosse minha namorada, eu não me referiria a ela dessa forma. Eu o mandei para o inferno, então ele colocou a mão sobre o pênis e começou a rebolar ameaçadoramente, tipo estuprador mesmo. Sério. Eu passei por isso em plena Cidade do Rock, e não apareceu um segurança pra convidar esse verme a se retirar. A organização do Rock in Rio podia fazer uma campanha pra que os homens respeitassem as mulheres durante o show. Não precisa nada demais; só algo como "mulher é gente", ou "só a toque se ela consentir" já seria o suficiente.

Continuando com a série de shows, dia 21/09/2013, fui ao show do Bon Jovi, com abertura do Nickelback. Ambas as bandas são formadas somente por homens. Depois, dia 11/10/2013 fui ao show do Black Sabbath, com abertura do Megadeth. Mais uma vez, apenas homens no palco. No show do Sabbath tinha mais sanitários masculinos, inclusive, porque de fato havia mais homens na plateia. E isso porque mulheres vão mais ao banheiro. No Monsters of Rock, 19/10/2013, as principais atrações eram: Slipknot, Korn e Limp Bizkit. Nem vou checar as outras bandas, mas o fato é que todos os membros das três mais esperadas da noite são homens.

Runaways (divulgação)
Provavelmente, a primeira banda bem sucedida só de mulheres foi a Runaways de 1975. Quem viu o filme, sabe que a história delas foi bem difícil, atormentada por violência de gênero, inclusive. E depois delas, qual tem sido o lugar das mulheres no rock?

Atualmente, a maioria das bandas que têm algum elemento feminino contam apenas com uma mulher no vocal. Os músicos que tocam instrumentos são todos homens. Posso citar vários exemplos desse padrão: Paramore, Evanescence, Within Temptation, Pretty Reckless, Halestorm, Cranberries... Em alguns casos a vocalista também toca. Mas, mesmo assim, fica bem claro que mulheres tocando todos os instrumentos em bandas de rock é algo raro.

Depois há bandas em que há mais de uma mulher, como Nico Vega, Dead Sara e a mais ou menos extinta Hole... E Courtney Love passou a carreira inteira sendo responsabilizada pela morte de seu marido Kurt Cobain, que a deixou com uma filha pra criar.

Fiquei muito feliz quando soube da iniciativa "GIRLS ROCK CAMP BRASIL​: Acampamento Diurno de Férias com Vivências Musicais, Exclusivo para Meninas", que rola de 13 a 18 de janeiro  de 2014 em Sorocaba e recebe meninas de 07 a 17 anos. Trata-se de um espaço onde elas terão a oportunidade de aprender a tocar um rock dentro de uma banda exclusivamente feminina, compartilhando sonhos num ambiente seguro. 

Eu acho que devemos sim estimular as meninas a se apropriar do rock se este é o desejo delas. Eu nunca parei de ir a shows apesar de toda a hostilidade por uma razão muito simples: Eu tenho direito de ir a shows. Não vou abandonar o espaço público porque alguém tenta me expulsar dele. 

Claro que a questão da sub-representação feminina no rock tem muitas nuances. O fato de que a maioria das meninas não se sente à vontade num ambiente predominantemente masculino é só uma delas. Também existe o preconceito contra produtos culturais produzidos e/ou apreciados por mulheres, que certamente atinge bandas que agradam meninas. Já ouvi comentários depreciativos sobre o Bon Jovi, por exemplo, porque é uma banda popular entre mulheres, e bandas com garotas costumam conquistar meninas adolescentes tão carentes de identificação no rock. E é certo que gravadoras e produtores levam em consideração os prós e contras de produzir rock "feminino" com base nas possibilidades de lucro. Mas não podemos deixar de mencionar que boa parte da rejeição às mulheres na sociedade ocidental é inconsciente.

Uma coisa que percebi recentemente com o retorno da 89fm, conhecida como "Rádio Rock", é que a locução dessa rádio é machista. Perdi a vontade de ouvir a rádio depois de ter ouvido o locutor da tarde dizer que a Liv Tyler e a Alicia Silverstone "embarangaram" e que isso era "coisa da idade". Eu nem sei qual é a idade do elemento que falou essa besteira (queria ele que uma dessas duas "barangas" quisesse algo com ele), mas dizer que mulheres com menos de 40 anos são feias por causa da idade é de uma misoginia forte, apesar de normatizada. Vem da ideia de que o corpo feminino tem data de validade e que ela é extremamente curta. E pior, que o corpo feminino existe pra agradar os homens, e que são eles que decidem como é uma mulher bonita. Mas o principal dessa ideologia suja é a rejeição às mulheres mais velhas porque elas têm mais poder. Pensa bem, em que lugar da carreira a gente chega antes dos 40? Antes dos 30, então? Conforme o tempo passa, a gente adquire mais sabedoria e segurança, e é disso que a maioria dos homens não gosta. Mas nós não estamos aqui para agradá-los, certo?
  

21 comentários:

  1. Pois é. Eu sou muito fã de Metal e eu noto uma agressividade tremenda dos homens, principalmente nas vertentes ainda mais pesadas, como Death e Black Metal. E essa implicância com bandas mais apreciadas por mulheres é também muito forte. Agora mesmo, no tumblr, vi um cara soltar algo assim "Jesus. Fique longe da tag do Alcest. Tem tantas garotas adolescentes". Geralmente, quem posta mais conteúdo (músicas, fotos, gifs, etc) dessa banda no tumblr são mulheres. E, nossa, pra esses caras as mulheres não podem sequer demonstrar que apreciam a banda, porque isso a "denigre" de alguma forma.

    Eu, sinceramente, ficava doente lendo o que os homens escreviam sobre as mulheres em espaços destinadas a debater Metal. Eu vejo muitas mulheres cantando em bandas de Gothic ou Symphonic Metal, mas vejo muito poucas nesses estilos mais "duros", como os supracitados Death e Black, porque o meio é muito hostil. Elas encontram muita resistência, muita agressividade.

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    1. Oi Nêmesis, obrigada pelo comentário.

      Eu tenho uma sensação de que o Metal é meio que um estilo de vida. Tanto que quem aprecia recebe um nome especial: metaleiro(a). E aí parece que esse "estilo de vida" é masculino, e por isso mesmo é tão "legal". Homens são muito territoriais, daí o fanatismo por times de futebol. Eles estão o tempo inteiro se identificando como homens, provando que o time deles é melhor e se divertindo "provando" que o time do outro não presta.

      Eu acho uma pena que muitas mulheres que curtem metal, ou rock de qualquer outro tipo, demonstrem uma postura de superioridade com relação às outras. Fica um lance meio como "eu sou melhor que as outras porque eu não gosto dessas besteiras de menina".

      O ponto principal é entender que rock não é coisa de homem. Acontece que, no aprendizado de gênero, ele está condicionado a certos estereótipos que excluem as mulheres. Também é bom frisar que nada é superior só porque homens gostam.

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  2. mas é um som agressivo
    e reflete bem esse lado belicoso e "macho" dos fofos
    seria incrível se assim não fosse
    e que roqueiros fossem pessoas doces e gentis ouvindo "aquilo"

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    1. Pois é, Rita. Mas, pra mim, essa não é a melhor forma de enxergar a questão.

      Para mim a agressividade do Metal (ou do Rock, que é o tema do post) é, ou deveria ser, uma espécie de catarse. As mulheres não deveriam ser excluídas disso; afinal, nós também sentimos raiva, temos frustrações e deveríamos poder extravasar ouvindo esses estilos de música; e não só ouvir, mas também fazer parte dele, cantando, tocando instrumentos, escrevendo letras, etc.

      O fato de que tanta violência seja direcionada às mulheres não é por causa da agressividade desse tipo de música. Eu não noto mais misoginia no Metal (no quesito das letras e na postura das bandas) do que no Pop ou Sertanejo Universitário, por exemplo, que são estilos de música mais comercias e "não agressivos".

      O problema é que o Rock e o Metal são estilos de músicas que convencionou-se como "masculinos", e há muita agressividade por parte dos fãs homens que não aceitam que mulheres ouçam e/ou toquem músicas nesse estilo.

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    2. Não é só que os fãs homens não aceitam. Muitas vezes as roqueiras também rejeitam o rock produzido por mulheres. Eu entendo isso como um processo social de misoginia, só que inconsciente: "É feminino, então não presta". E também tem a questão do que se entende como feminino e do que se entende como rock. Tem gente que não gosta da voz feminina cantando rock, porque acha que não "combina". Fica um pouco naquela coisa do "sempre foi assim". E também tem a questão de se pensar que mulheres são incompetentes, logo, como vão tocar instrumentos, né?

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  3. Machismo não tem nada a ver com Rock. O machismo está em todos os estilos musicais, pode pesquisar. Quer mais machismo que Sertanejo Universitário e Funk? Eu sou roqueira, metaleira, de carteirinha. E digo que o rock n roll é um estilo de vida. Nunca tive problema em nenhum show de rock que fui na minha vida, em nenhuma balada rock. Diferente daquelas lindas festas em Barretos que as meninas são até violentadas... triste. O machismo está na nossa sociedade, em todos os lugares. E cabe a nós, mulheres, nos impormos, mudarmos nossa atitude, para que eles nos respeitem.

    Não julgue o rock. Os roqueiros são, ainda, os melhores homens da nossa sociedade.

    Eu tenho uma banda de punk rock, feita só por mulheres. Conheço muito mais bandas de rock de mulheres do que as que você escreveu, que aliás, só conhece porque são pops.

    Pesquise mais. Vai ver que o rock abraça as mulheres como nenhum outro estilo.

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    1. Como assim, "nada a ver"? Você leu o texto? Eu demonstrei analiticamente comportamentos e valores patriarcais dentro da subcultura do rock.

      Em segundo lugar, eu não falei que não há em outros estilos musicais. Pelo contrário, como eu pesquiso produtos culturais, percebo esse padrão em todos. Optei por falar sobre rock porque conheço bem.

      Outra coisa, você não é amostra estatística. Sua experiência pessoal não garante nada.

      O fato de haver mulheres no rock, não apaga o caráter patriarcal dentro dele, da mesma forma que a presença de mulheres em filmes não muda o caráter patriarcal do cinema. Quem disse que eu não pesquisei? Quem precisa pesquisar mais é você.

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    2. você demonstra aqui seu total despreparo para falar sobre o assunto rock, machismo mulheres...a F. Bel é sim amostra estatística no momento em que ela tem uma banda de rock e feita apenas por mulheres, você toca em alguma banda? então é você que não é estatística! veja a história do lemmy que sempre foi um defensor das mulheres e não me venham dizer que é porque ele pegava todas, acredito que consensualmente era bom para todas as partes as noites regradas a sexo...rock não tinha nada a ver com mulheres, mas a joan jett por exemplo é amada por todos os homens do rock and roll pelo mundo...suzy quatro...patti smith..L7...girlschool...vixen...heart...etc etc etc...vá se informar feminista de plantão...

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    3. Olha, vc já chegou aqui desrespeitando meu trabalho como pesquisadora, então não me vejo na obrigação de explicar nada. Só vou dizer mais uma vez que estatística se refere a regra, não a exceção. Não adianta eu falar em regra e alguém aparecer citando uma experiência pessoal como se fosse relevante. Não adianta, não é. Você tem dados (com fontes fidedignas) do percentual da quantidade de mulheres fazendo rock? Quando você tiver, você posta aqui e então teremos uma discussão. Até agora você só vomitou achismo.

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    4. Outra coisa: se "feminista de plantão" pretende ser um insulto, você fracassou completamente. E, mais uma vez, quem precisa se informar é você.

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  4. Olá Patty! Descobri seu blog pesquisando justamente sobre o machismo do rock para um texto que estou escrevendo para o meu. Há vários anos encontrei numa revista da Playboy uma pretensa lista de 100 melhores álbuns de rock da história e recentemente me propus a analisar cada um deles. A lista possui vários dos medalhões do rock a exemplo, mas também tem vários discos de bandas de garotas ou de cantoras, a exemplo de Alanis Morissette, The Go-Go's, Patti Smith etc. E por isso mesmo a lista foi avacalhada por muita gente dizendo que se tratava de uma lista afrescalhada e feita por e para gays. Eu não concordo com várias coisas na lista (tipo Jagged Little Pill de Alanis deveria ter uma colocação bem melhor que 98ª e a ausência do New York Dolls só pra citar dois exemplos), mas dizer o que foi dito dessa lista foi puro preconceito uma vez que não se analisou em nenhum momento a qualidade musical das obras. Puro machismo roqueiro.
    Parabéns pelo excelente texto! Muito bem argumentado e muito bem escrito. Inclusive gostaria de pedir permissão de linka-lo no texto do meu blog.
    Abraços

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    1. Olá 1berto!

      Obrigada pelo comentário. Pode linkar sim, sem problemas.

      Abraços

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  5. Olá! Estava fazendo uma pesquisa sobre rock relacionado a machismo e misoginia e encontrei o seu texto e adorei. No dia mundial do rock eu quero postar no meu facebook conteúdos relacionados a isso com a intenção de desconstruir o pensamento de muitas pessoas roqueiras que não percebem o quanto o rock é preconceituoso em diversos aspectos.

    https://www.facebook.com/pages/Negras-e-Negros-no-Rock/232717400236517?fref=ts

    Eu tenho uma página que retrata a identidade negra no rock e eu tento abordar diversas formas de opressão presentes na sociedade. No dia do rock quero postar seu texto lé.

    Agradeço desde já!!!
    Abraço!

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    1. Olá Vini!

      Obrigada pelo comentário. Pode postar, fique à vontade.

      Abraços!

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  6. Frequento shows de metal desde os 14 anos, hoje tenho 38. Percebo que os "machistas" e "briguentos" são os mais jovens, lembro de ter ido em um show do Metallica em 1993 e ver pessoas com garrafas de cerveja...ninguém se machucou. Ontem, 26/07 fui ao show do Iron e um babaca tentou arrumar briga comigo e uma amiga que tem mais de 50 anos...é triste, mas se tivesse um homem conosco, isso não teria acontecido...duvido que se fosse um cara grande e forte ele faria o que fez...o menino, um babaca com no máximo 25 anos...ridículo.

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  7. Gostei do texto.Sou guitarrista amadora e já senti sim o machismo por pertencer a uma banda que não emplacou pois eu não estava a fim de ficar com o guitarrista/fundador e também por abuso de drogas por parte deste mesmo rapaz;na época eu ainda não tocava guitarra,eu era a vocalista.
    Anos mais tarde agora no início de 2016 fui tocar guitarra para uma banda punk e fui desagradavelmente assediada pelo baterista e sai fora da banda,pois também não estava a fim de ir para show sem nenhum suporte,carro,nenhum integrante da banda me acompanhando e sofrer a possibilidade de assalto e levarem a minha guitar. Tudo muito desorganizado no espírito cada um por si e Deus contra todos.
    Em shows fui bolinada legal no primeiro show do Marliyn Manson no Brasil,carinha me encoxou por trás,eu estava nas primeiras filas e foi difícil sair fora e tive que ir lá para o fundo da platéia. Talvez porque eu seja alta não é tão fácil os elementos avançarem fisicamente contra mim. A conclusão é que no Brasil se a banda for de homens(salvo exceções) e tiver mulher ela terá que além de tocar um instrumento ou ter um mínimo de técnica vocal se deitar com algum integrante para pertencer à banda,ser respeitada e considerada como um membro. Bem,existem bandas legais de mulheres que tocam som pesado,tem a Nervosa, a Arandu Arakuua que tem uma mina no vocal e tema indígena e no âmbito internacional o ArchEnemy(melhor show de rock que já vi na vida), tem a Cadaveria. No gótico tem muita opção também.Existem ignorantes misóginos em todos os meios,porém o mais triste é ver as mulheres agredirem as outras que lutam exatamente pelos próprios direitos.Aconselho a todas mulheres adquirirem prática de defesa pessoal,pois é muito útil quando algum elemento que desconhece limites nos desrespeita. Como dizia uma ex chefe minha: você não precisa amar ninguém,mas RESPEITE.

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  11. Discordo apenas de uma coisa, a rejeição às mulheres é cuidadosamente construída pra parecer tão natural que deixa de ser notada, de resto, excelente posicionamento e crítica!

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  12. Que incrível, posso publicar esse texto na minha rede social?

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