segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Explorando fetiches sem culpa



Falar sobre práticas sexuais "transgressoras" é sempre difícil, sendo que o termo transgressoras muitas vezes
Edge Play Story for VICE
por Edmund X White, Flickr, CC
engloba qualquer coisa que saia de um papai-mamãe com sexo vaginal. Nesse sentido, os livros da trilogia "Cinquenta Tons de Cinza" têm o mérito de ter trazido o tabu do BDSM para o mainstream. O fato de a trilogia ter vendido (e ainda vender) tanto evidencia o quanto fantasias desse tipo podem ser mais comuns do que imaginamos. E ninguém deve se envergonhar delas. O importante é não ter preconceitos e buscar informação a respeito.   

Se você está tentada a experimentar alguns fetiches deste tipo mas está insegura, este post pretende dar algumas dicas práticas sobre o assunto. Há algumas semanas, fiz uma resenha sobre essa série de livros. Cito um pequeno trecho explicativo a respeito de BDSM:
 
"A sigla BDSM se refere a um conjunto de práticas sexuais que trazem prazer através da troca erótica de poder. Em geral, os adeptos desse estilo de vida o praticam num espaço de tempo conhecido como “sessão” ou “cena”. Essa sigla deve ser entendida em grupos de duas letras.

BD significa Bondage e Disciplina, o que inclui técnicas de amarrar e dominar pessoas com cordas de vários tipos ou correntes, causando desconforto e às vezes dor.

DS significa dominação e submissão, o que não necessariamente inclui o uso de dor. Implica que a pessoa submissa obedeça às ordens da pessoa dominadora. Nesse caso existe a possibilidade de que o relacionamento siga em sistema 24/7, o que significa que o(a) submisso(a) deve se submeter a seu(ua) mestre em tempo integral, vinte e quatro horas por dia nos sete dias da semana. 
SM significa sadomasoquismo, que se refere a relações nas quais existe uma imposição de sofrimento físico ou humilhações de uma pessoa a outra.

Todos esses conjuntos de manifestações sexuais podem ter homens e mulheres em posição de dominação ou submissão. Não existe uma obrigatoriedade de papéis pelo gênero." 
(Leia o texto completo em pattykirsche.blogspot.com)

Pode ser que você encontre praticantes machistas, mas o BDSM em si não é machista. O BDSM envolve relações de poder nas quais uma das partes se entrega à outra. Não existe uma ideia de que um gênero deve ser submisso ou oprimido. O BDSM não é sequer heteronormativo. Ou seja, mulheres podem dominar outras mulheres ou homens. Homens podem dominar outros homens ou mulheres. E os papéis tampouco precisam ser fixos.

Se você sente desejo de praticar BDSM, tenha em mente que confiança é fundamental. Você deve confiar muito em seu(ua) parceiro(a). E o sentimento deve ser recíproco.

Existe um princípio no BDSM conhecido pela sigla SSC, que em português significa "São, Seguro e Consensual". Para segui-lo, o primeiro passo é escolher uma palavra de segurança. Palavra de segurança é um código que, ao ser dito, interrompe a cena ou reduz a intensidade dela. É bastante comum usar "amarelo" para que a cena fique mais leve e "vermelho" para interrompê-la, seguindo a ideia dos semáforos. Mas cada casal (ou grupo) é livre para escolher as palavras de segurança mais convenientes. Em caso de utilização de mordaça, é preciso definir algum sinal gestual de segurança.   

A palavra (ou sinal) de segurança emitida por quem se submete é lei para quem domina. Romper essa regra básica destrói toda a confiança da relação, pois quem se submete precisa ter a certeza de que o jogo vai acabar se o prazer acabar. Os códigos de segurança devem estar explícitos no contrato de submissão. Esse contrato, obviamente sem valor legal, é muito importante porque define os limites leves (negociáveis) e os limites pesados (inegociáveis) do casal ou grupo.

Não há como escapar de discutir tudo isso. Pode parecer constrangedor, mas é imprescindível discutir todas as fantasias dos praticantes. Na verdade, isso deveria ser feito em qualquer relação. Mas nesse caso é uma condição para que a relação aconteça.

Se você tiver dificuldade de dizer o que deseja que seu(ua) parceiro(a) faça com você, escreva. Mas mostre seus desejos, ele(a) não tem como adivinhar. Isso só vai funcionar se vocês forem honestos(as) um com o/a outro(a). Então pesquise e procure entender as fantasias de ambos para decidir o que será praticado e o que não será. Esta, aliás, é uma boa dica para qualquer relacionamento sexual duradouro, mesmo fora do BDSM.

Depois que todos os desejos estiverem claros, vocês podem sair da fase de planejamento e entrar na fase de execução do projeto. Nessa fase, é preciso adquirir os equipamentos necessários para a realização das fantasias. Não economize. Esses brinquedos precisam ser muito bem feitos para proporcionarem o prazer desejado com segurança.

Num próximo post, eu escreverei sobre acessórios e práticas. Até lá, mente aberta e nada de vergonha! Não há nada de errado com suas fantasias, o importante é viver sua sexualidade da forma mais segura e satisfatória possível. ;)

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