quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Autofagia II

Autofagia II

 

Postada originalmente em 21/01/2008 às 12h34.
O sofrimento me atormenta,
sofrimento que eu busco.
Por que faço isso comigo?

Deixo um grito escapar
num espasmo de sinceridade,
já não consigo esconder
a violenta crueldade.

Já sangro,
aqui dentro a ferida arde,
nem tenho vergonha
a vontade de chorar invade.

Sequer consigo falar,
impossível verbalizar
tamanho o tormento.

O sentimento machuca
desde o primeiro momento,
desde que não nos conhecemos.

Se um dia vai inevitavelmente acabar
então por que insistimos em começar?

Por que toda esta dor
quando nós dois suspeitávamos
como o fim seria?

Essa dor surda,
fruto da incerteza.
Tenho medo de perder
o que não me pertence...

E o gineceu sempre morre,
não sem antes sangrar.
Mais um mês, ressuscita,
o coração ainda bate
tão cansado de sofrer,
apavorado,
porque quando cessa a aflição,
é que ela realmente começa.

Não existe amor.
São apenas provas mútuas, e
cada prova é um alívio.

Não sei nada sobre o amor.
Em cada mergulho nesta piscina
encontro a angústia por não saber nadar.

O amor é uma criação dos amantes,
não existe senão para satisfação dos enamorados...

A crueza destes sentimentos...

A ausência que corrói.

 

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