domingo, 9 de fevereiro de 2014

A saga de uma antifeminista - Uma história real

Esta é provavelmente uma das postagens mais pessoais que farei neste blog. Faço questão de contar esta história porque:
a) Esse é um blog feminista, e discutir a postura antifeminista de algumas mulheres é algo relevante;
b) A pessoa em questão fez muito mal para uma amiga muito querida e certamente vai passar a vida fazendo mal por aí. É importante que outras pessoas tenham a oportunidade de prevenir-se contra gente interesseira.      

Há alguns anos, eu conheci, numa lista de discussão da internet, uma jovem chamada Joana*. Joana estudava em Curitiba, longe de seu pai, então morava num apartamento com outras jovens. Quando visitei Curitiba pela primeira vez, minha vontade era conhecer todo o pessoal do grupo que morava lá, e Joana era uma delas. Foi nessa ocasião que conheci também Camila**, uma grande amiga minha até hoje. Combinamos um encontro no Estação e, de lá, fomos para o apartamento de Joana. Nessa ocasião, tudo tinha sido muito tranquilo, a impressão havia sido ótima.

Algum tempo depois, eu estava organizando uma viagem para o Rio e decidi convidar Joana. Fomos no carro dum amigo meu, que ela conheceu no dia da viagem. Já no carro eu não gostei da atitude dela ao chamar a voz do GPS de "vadia". Eu demonstrei o desconforto que sentia diante disso, mas ela continuou mesmo assim. Percebi ali que ela curtia praticar slut shaming e não tive uma boa intuição. Mas fiz a besteira de ignorar o sentimento.  

Lá no Rio, aproveitei para marcar um encontro com uma amiga da Baixada, que também era amiga de Joana. Antes da viagem, nós todas conversamos sobre a possibilidade de ir ao Aterro do Flamengo ou ao Palácio do Catete para conversar, já que nosso hostel ficava no Catete.

As coisas foram bem até alguns momentos antes de eu sair para encontrar minha amiga da Baixada no metrô. A Joana resolveu escolher aquele momento para dizer que queria ir para a praia de Ipanema. Eu expliquei para ela que a menina da Baixada vinha do trabalho, portanto estaria desprevenida para ir à praia. Mas, conforme ela percebeu que eu não ia simplesmente forçar a menina a ir para a praia de calça jeans, ela foi ficando irritada. De repente ela gritou (algo assim): "Eu não vim para o Rio pra ir a museu; se fosse pra ir a museu, eu iria em Curitiba. Vim para o Rio para ir à praia."

Eu fiquei estarrecida com o nível de agressividade dela, nem consegui dar uma resposta. Além de demonstrar total falta de consideração, ainda desrespeitou o Rio de Janeiro, uma cidade histórica que já foi capital do Brasil. Mais tarde, quando estávamos no carro voltando, ela teve coragem de criticar a Geisy Arruda, aquela moça que foi vítima de um ataque misógino na Uniban por estar usando um vestido curto (A Uniban foi motivo de chacota na USP por meses. Professores brincavam que para estudar na USP precisa passar na FUVEST, mas, para estudar na Uniban, é só não usar vestido curto). Usava argumentos toscos na tentativa de justificar o injustificável e deixou uma péssima impressão.

Depois da viagem, percebi que ela não era o tipo de gente que eu queria por perto, mas a mantive no twitter e facebook por educação. Isso acabou se mostrando um problema porque ela só postava lixo. Quando não, aparecia na minha TL para falar merda sobre as minhas postagens. Uma vez ela comentou numa postagem minha sobre uma propaganda asquerosa da cerveja Nova Schin que havia esse tipo de comercial porque "essas mulheres" aceitavam participar. Olha o nível do debate; sempre responsabilizando mulheres pela opressão que sofrem.

É claro que ela já tinha sacado que eu sou feminista. O que eu não sabia é que isso a incomodava. Um dia, ela resolveu mandar uma indireta via twitter. Retwittou uma postagem estúpida que dizia algo como: "Nunca vi feminista lutar por alistamento obrigatório para mulheres".

Bom, essa é uma frase típica proferida por pessoas que querem destruir o feminismo, mas é de uma ignorância tremenda. Primeiro porque a luta feminista existe para corrigir uma desigualdade de poder entre duas classes, na qual homens têm mais poder há milênios. Não vejo por que mulheres deveriam buscar mais problemas para si mesmas, sendo que já temos muito porque lutar.

Mas, enfim, o ideal seria que o alistamento para homens deixasse de ser obrigatório. Só que essa não é uma pauta feminista, né? Já viu o movimento de igualdade racial tentar resolver problemas que atingem os brancos? Mas sempre tem essa palhaçada de gente cobrando o movimento feminista por não lutar por melhorias para "ozome".

Mas, voltando a Joana. Quando ela twittou essa mensagem infeliz, eu estava online e fiz questão de responder. Já estava farta de tanto ler insinuaçõezinhas escrotas e resolvi acabar com aquela palhaçada. Respondi: "Talvez porque sejamos a favor de que deixe de ser obrigatório para homens. Ler um pouco não faz mal, não."      

Ela veio se defender alegando que não conhecia o assunto, mas que ela tinha o direito de dar a opinião dela. Então eu fui bastante firme; disse que ela precisava ter embasamento sobre um assunto para dar qualquer opinião sobre ele. Aí ela virou uma mimizenta. Não dizia mais coisa com coisa, queria apenas defender o direito de dizer besteira. Coroou a montanha de cocô com um: "Não concordo com feminismo e ponto final.", que deve ser algo similar ao infantil: "Não estou ouvindo nada... nananana".  Eu ainda disse que se não fosse pelo feminismo, ela estaria fazendo serviço doméstico para o marido, mas ela demonstrou também não ter capacidade pra interpretar texto e respondeu: "E se eu quisesse viver assim? Qual o problema?". Bem, não foi o que eu disse, então eu desisti de argumentar. Mas aqui posso registrar: O feminismo trouxe a possibilidade de escolhas para as mulheres!!!

Uma amiga nossa viu a discussão e falou pra ela: "Não acredito que você está dizendo que não precisa conhecer um assunto pra dar sua opinião...". Ela teve coragem de dizer que "unfollow" estava aí pra isso. Aproveitando então o ensejo, eu dei unfollow nela ali mesmo. 

Após algum tempo, não tínhamos mais nenhum laço via redes sociais, o que considerei um grande alívio. Mas, infelizmente, ela ainda tinha laços com amigas minhas. Quando Camila me falou por telefone que Joana ia ficar alguns dias em sua casa porque havia tido problemas no apartamento, eu tive uma péssima intuição. E é esta terrível história sobre seis semanas fatídicas que vou contar agora.

Joana alegava ter problemas no apartamento em que morava porque a mãe de uma das colegas implicava com ela. Na verdade, ela havia sido encarregada de pagar as contas, (era quem tinha mais tempo livre por estar desempregada) e, não contente em gastar a sua parte do condomínio, ela gastou as partes das colegas que confiaram o dinheiro a ela. Deixou de pagar o condomínio por três meses.

Camila, minha amiga de Curitiba, é uma pessoa muito generosa. A casa onde mora com seu marido e três filhos tem apenas três quartos, mas ela não se negou a receber Joana por ter acreditado que ela era uma amiga com problemas. O marido de Camila até pagou o carreto de Joana na mudança (e nunca recebeu o dinheiro de volta). Mal sabiam que estavam diante de uma sanguessuga invejosa, egoísta e indolente.

No primeiro dia como hóspede, Joana conseguiu deixar o quarto completamente bagunçado. Ela ocupava até a cama com suas coisas e dormia num canto encolhida. Pior, ela levou consigo uma gata de estimação que fazia cocô no quarto, mas não tinha a dignidade de limpar a sujeira.

Ao longo dos dias, ela foi ficando cada vez mais folgada. Começou a deitar de bruços no chão da sala diante do marido de Camila com a saia levantada e a calcinha enfiada no rego. Sim, isso vindo de alguém que criticava quem ia pra aula de vestido curto. Mal sabe ela que o marido de Camila considerava esse espetáculo "a visão do inferno". E pior, ela também dormia no quarto com a bunda mirada para a porta aberta.

Além disso, ela não queria fazer serviço doméstico. Quando impelida, lavava aquela louça nojenta: esfregava só a parte de dentro da panela e deixava o resto gorduroso. Também era gulosa; comia do lado da panela e não parava enquanto a comida não acabava. Até ficava irritada quando a filha de 5 anos de Camila queria se servir de doce. Ainda ficava brava por repartir a conta do pacote de telefonia (telefone, internet e TV). Dizia que não precisava pagar por não ver TV na casa, então passou a monopolizar o controle remoto depois de ter pago sua parte da conta.

Pior é que Joana não queria ir embora de jeito nenhum. Quando chegou o momento de alugar outra casa, ela disse para Camila que havia gastado o dinheiro e não teria condições. Camila ficou apavorada e lhe disse que não tinha mais condições de mantê-la lá. 

Joana acabou alugando um apartamento vizinho ao de Camila. Deixou o quarto na casa de Camila tão sujo, que foi preciso lavar com água sanitária. O marido de Camila queria tanto que Joana fosse embora, que ele mesmo foi levando as coisas dela para a nova residência. E foi devido à proximidade que ele acabou escutando Joana xingando o próprio pai por telefone; ela dizia que ele tinha obrigação de mandar dinheiro para que ela viajasse. Pelo que entendi, ela acha que seu pai tem obrigação de sustentá-la porque ele se divorciou de sua mãe e se casou com outra mulher. Como assim? Mas enfim, como ela é maior, ele só tem obrigação de pagar pensão caso ela esteja fazendo faculdade. Por essa razão, ela ficou um tempão matriculada na faculdade sem assistir às aulas (porque não conseguia acordar cedo).

 E ainda tem muita sujeira nessa história toda. Ela havia pedido R$260,00 emprestados para outra moça do grupo, mas jamais devolveu. Ela dava presentes para Camila, mas depois ficava jogando na cara. E o mais estranho: ela tentou tomar o lugar de Camila diante de seus filhos. 

Depois de ter conhecido essa história horrível, cheguei a algumas conclusões. Acho que ela não "concorda" com feminismo porque foi o feminismo que conquistou para as mulheres o direito de trabalhar fora, e ela, pelo visto, não é muito chegada a trabalho. Também porque ela gosta de praticar slut shaming e não quer parar de fazer isso. Ela quer depreciar mulheres que exibem o corpo, embora exiba o corpo, o que é mundialmente conhecido como inveja.

Não posso afirmar que toda antifeminista seja assim, mas vamos combinar que não é surpreendente ver tudo isso de defeito numa pessoa só, né? Geralmente o pacote é sempre completo. Aliás, ela tem até característica de psicopata. Parecia aquela mulher do filme "A mão que balança o berço" tentando roubar a família de Camila.

A lição que fica é que se deve sempre levar em consideração sinais de deficiência de caráter numa pessoa. Nesse caso, a família de Camila está conseguindo se recuperar, apesar do trauma. Mas poderia ter sido pior.  

*: Nome fictício para evitar problemas.
**: Nome fictício para proteger privacidade. 

2 comentários:

  1. Depois dessa experiência traumatizante serei menos solidária, tentando socorrer alguém que implorou a minha ajuda em pleno Natal e Ano Novo me trazendo preocupações que não cabiam a mim. Tentei ao máximo ajudá-la, mas realmente ficou insustentável e dei um ultimato. Ainda mantive a amizade por alguns meses, mas depois de saber que ela ameaçou o próprio pai de cadeia porque ele cortou a pensão depois de saber que ela não ia as aulas. Além de ofender o pai com vários palavrões como "vai se foder seu filho da puta eu te ponho na cadeia é isso que você quer???" Eu fiquei horrorizada e decidi que nunca mais quero uma pessoa assim perto da minha família novamente, a pessoa não faz absolutamente nada na vida só vive de sugar os outros incautos como eu e as garotas do antigo apartamento.

    Camila

    ResponderExcluir
  2. Eu conheço várias mulheres assim. Parece que preferem viver escoradas do que fazer alguma coisa, tipo filhinho de papai playboyzinho, Thor Batista sabe...
    Muitas família criam as filhas para, acredito que a maioria. "Arranja um namorado bem rico". É difícil uma mulher que nunca ouviu isso. Elas precisam enxergar que essa "mordomia" de ser sustentada tira muitas outras oportunidades da vida delas, e serve para que o marido se ache com o direito de manipular a vida delas, pois detém o poder, ou seja, o dinheiro.

    ResponderExcluir

Eu me reservo o direito de não responder perguntas cuja resposta esteja no próprio post. Comentários imbecis e sem embasamento estão sujeitos a ridicularização. Comente por sua conta e risco. Obrigada!