quarta-feira, 5 de março de 2014

Então é Dia Internacional da Mulher. E o que você fez?


Celebrating women's empowerment at a 16 October women's empowerment rally in Nigeria
imagem de Africa Renewal, Flickr, CC
No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional de luta das mulheres. Passeando no shopping, percebi que algumas lojas estão tentando estimular a compra de presentes para mulheres nessa data.
Não tenho nada contra presentes. Acho até legal quando alguém pensa em comprar uma lembrancinha numa data especial, desde que por desejo próprio, e não por obrigação. Só espero que a ideia de trocar presentes não tire o foco do verdadeiro sentido por trás dessa importante data. Afinal, temos esse dia de luta porque somos um grupo historicamente oprimido. E como está nossa situação hoje?
As mulheres têm alcançado diversas posições bacanas na nossa sociedade, sua escolarização se alongou, têm conquistado melhores postos de trabalho do que antes, têm tido mais acesso ao planejamento familiar, entre outras coisas. Mas infelizmente a cultura machista continua fazendo vítimas todos os dias, porque continua tendo força na nossa forma de pensar, ver o mundo e organizar a sociedade. O caso da violência doméstica no Brasil é grave e mostra apenas uma das consequências nefastas do machismo.

A violência contra mulheres ainda é um problema no mundo inteiro. Muitas mulheres são vítimas de assassinatos devido a ciúme do parceiro numa indubitável demonstração do quanto ainda somos vistas como propriedade. A esses delitos damos o nome de femicídio ou feminicídio. E mesmo quando não termina em assassinato, uma relação abusiva pode deixar várias marcas na vítima, tanto físicas quanto psicológicas e ir "matando" aos poucos.   

Muitas pessoas que têm o privilégio de não viver uma situação de violência doméstica acabam se perguntando: qual o problema com essas mulheres que permanecem em relações abusivas? Elas não percebem que estão namorando ou casadas com um escroto machista (ou com uma escrota machista, já que é documentada a ocorrência de violência doméstica entre casais homossexuais)?
Essas são questões difíceis de se responder. A princípio, não podemos esquecer de que as vítimas estão numa situação de dependência, às vezes financeira, às vezes emocional. Para conseguir sair da situação na qual se encontram, precisam passar por um processo que chamamos empoderamento.

O empoderamento é um processo pelo qual uma pessoa percebe seu verdadeiro valor, conseguindo então encontrar poder nela mesma para mudar sua situação. Ela se apropria, se empodera da própria vida. Se vemos tantas mulheres sendo vítimas de parceiros abusivos é porque muitas delas não têm poder psicológico e simbólico, o que é uma consequência da cultura misógina perpetuada pela sociedade na qual vivemos.
É importante mencionar que a violência pode aparecer de formas bastante sutis, que sequer são entendidas como violência no senso comum. Insultos, "piadas" ridicularizando seu corpo ou seu modo de ser, apelidos pejorativos, enfim, qualquer prática que mine seu gosto pela vida de alguma forma. Sentir prazer em viver é fundamental no processo de empoderamento, e é o primeiro ponto que um(a) agressor(a) vai atacar.
Portanto, toda vez que sentir a esperança sumindo, busque satisfação nas pequenas coisas. Olhe para dentro de si, veja quem você é de verdade, reconheça suas qualidades, lembre-se de seus sonhos. O momento para ser feliz é agora. Sempre é hora de tentar algo novo. Um curso, por exemplo. Estudar é uma das principais formas de empoderamento, pois traz a oportunidade de conhecer pessoas novas, e assim, novos amigos(as) que podem apoiar em momentos difíceis. Além disso, aprender algo novo também pode trazer novas possibilidades profissionais, e, por consequência, um caminho para a independência financeira. Existem vários cursos gratuitos ou a preços populares. Bibliotecas costumam ser um bom lugar para se encontrar informações sobre eventos e oficinas e são acessíveis a todos.        

Essas dicas não são exclusivas para vítimas de relacionamentos abusivos. Todas as mulheres, bem como outras minorias, precisam de empoderamento em maior ou menor grau. O empoderamento é a chave para não se deixar tomar pela constante inferiorização que a cultura nos impõe dia após dia. 

Então, o que você fez para empoderar-se nesse ano que passou, desde o último mês de Março?

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