segunda-feira, 10 de março de 2014

Projeto Bem-vinda

O Projeto Bem-vinda é um projeto fotográfico aberto no qual serão reunidas todas as fotos amadoras e/ou profissionais de placas, tickets, panfletos, prints, entre outros materiais de comunicação de estabelecimentos comerciais e empresas que ignoram completamente a existência do gênero feminino na linguagem. 


Ticket do estacionamento do Shopping Metrô Tucuruvi
Para participar, basta enviar a foto ou print para o email pattykirsche@gmail.com com "Projeto Bem-vinda" no assunto, dizendo o nome da empresa responsável.

A invisibilidade do gênero feminino na língua portuguesa é uma consequência (e não a causa) da cultura patriarcal. Convencionou-se que o plural de um grupo com mulheres e homens seria designado por "eles", e que adjetivos e substantivos ficariam sempre no masculino quando se referissem a grupos indefinidos.

As regras supracitadas refletem por um lado a ideia de que o homem é o ser humano "regular", enquanto que a mulher é uma "variação" do que se entende por ser humano. Por outro lado, são consequência duma crença profundamente misógina que entende como degradante para um homem que ele seja chamado de "mulher", o que inclui pronomes, adjetivos e substantivos femininos. No entanto, para as mulheres, não é entendido como ofensivo que sejam tratadas no masculino. Because it's okay to be a boy.  


Carrefour Vila Rio em Guarulhos - SP
Essa cultura ainda hoje é responsável pela conduta da maioria das empresas, que tratam seu público alvo como "o cliente", e esperam que "ele" esteja "satisfeito". Colocar uma placa com os dizeres "Seja bem-vindo" na frente dum estabelecimento é apenas mais uma das demonstrações dessa cultura na qual "o homem" é a humanidade. 

Mas é possível mudar isso. As empresas são sensíveis às reclamações da clientela. Não podemos nos calar, pois o poder está de fato em nossas mãos. 

A minha proposta inicial é que o gênero feminino passe a aparecer da forma mais careta, que inclusive existe há tempos: o(a), ou o/a. Não seria grande trabalho colocar um "Seja bem-vindo(a)" na entrada, ou um "o/a cliente", ou "Estamos aqui para servi-los/las"... Mas nem isso? Poxa, segundo pesquisa Data Popular com homens casados em todo o país, as decisões das compras de supermercado são da esposa para 86% dos entrevistados, férias da família 79%, roupas do marido 71% e carro da família 58%. Não é justo que o comércio simplesmente finja que não existe o gênero feminino em seu público alvo. 

Claro que ainda temos as questões das pessoas transexuais, andróginas, e etc. Questões de gênero envolvem vários debates, inclusive no que diz respeito à linguagem, pois cada idioma tem suas particularidades. Eu não tenho uma resposta sobre qual seria a melhor forma de se expressar gêneros; eu só proponho que um recurso já conhecido da língua portuguesa seja utilizado para que o comércio decida se dirigir às mulheres. 

Contribuição de Hiago Araújo, tirada no Shopping Internacional





  


Um comentário:

Eu me reservo o direito de não responder perguntas cuja resposta esteja no próprio post. Comentários imbecis e sem embasamento estão sujeitos a ridicularização. Comente por sua conta e risco. Obrigada!