domingo, 21 de junho de 2015

A história de "Doce Ardor"

Em 2010, eu escrevi um livro de ficção (em tese seria o primeiro da série Pimenta & Cereja). É romance pela extensão, pois tem cerca de 90 mil palavras, mas o gênero mais próximo é fantasia urbana. A história é sobre a agente secreta Blutig Pfeffer, que acorda dum coma com a memória comprometida. Ela é uma jovem mulher independente e durona, mas que carrega uma forte angústia. O conflito principal da história é a busca de Pfeffer pela verdade escondida em seu passado; uma jornada de autoconhecimento.

Teve gente que reclamou do nome Blutig Pfeffer, que não é nada além de "bloody pepper" em alemão. Estrangeirismo em inglês a galera aceita bem, mas em outras línguas sempre rola um estresse. Fora que existem razões para que ela tenha esse nome, não é um reles capricho da autora. Mas enfim, desabafo feito, vamos em frente.

A história mistura elementos fantásticos com ação e romance. Os elementos eróticos ficam por conta dos paqueras de Pfeffer: o misterioso vampiro Hades e seu chefe Ricardo. Nenhum deles é perfeito, mas Pfeffer também não é, como as pessoas do mundo não são.

No início de 2011, quando a primeira versão ficou pronta, eu optei pelo serviço de autopublicação do Clube de Autores, site pioneiro em colocar livros virtuais a venda para serem impressos sob demanda no Brasil.

Alex fazendo divulgação de "Doce Ardor"
A ideia foi muito legal em teoria, mas o livro físico ficava muito caro lá. Fora que a qualidade de impressão não era das melhores. Com isso, ficou difícil vender os livros, e a publicação lá funcionou melhor para eu mesma comprar unidades, revisar e ceder para parceria e resenhas.

O legal é que mesmo aquela edição inicial cheia de erros agradou muita gente. A maioria das pessoas que leram, mulheres e homens de várias faixas etárias, gostaram. Foram publicadas várias resenhas positivas, as quais compartilho nos links a seguir:

Vicky Doretto
Joe Silva
Carla Ferreira
Débora e Alessandra
Mariana Dal Chico
Mayara Braga
Renato Klisman
Bih Lima

Apesar disso, não consegui publicar por nenhuma editora. Até recebi alguns contatos, mas nenhum resultou em publicação, infelizmente. O mercado editorial brasileiro é profundamente assustado. O medo de arriscar prejuízos é muito grande, e a maioria das editoras acaba apostando em títulos já bem sucedidos no exterior, principalmente nos EUA. A principal atividade das editoras brasileiras é comprar direitos de publicação de livros gringos e só se preocupar com a tradução.

No Brasil, ver TV é a atividade preferida - fonte Prolivro 
Existem várias razões que levam a esse fenômeno grotesco. Para explicar, é preciso falar do mercado editorial dos EUA. Lá são publicados livros sobre tudo, o que leva a saturação. O público tem maior hábito de leitura (tem caído, chegando a cinco livros por ano em média). No Brasil, o número médio de livros lidos por ano ficou em torno de quatro em pesquisa feita em 2011. Mas a diferença mais gritante está nos números de quem não leu nenhum livro no ano anterior. Nos EUA esse número ficou em torno de 23% em 2014, mas no Brasil chegou a 70%.

Infelizmente, a cultura brasileira é predominantemente audiovisual; a maioria dos entrevistados na última pesquisa Prolivro apontou ver TV como a atividade mais prazerosa.


Mas existem outras questões, como o preço do livro, por exemplo. Os custos de produção são elevados no Brasil, em parte devido à forma como os impostos são aplicados. Além disso, nos EUA existe um processo de barateamento dos livros após cerca de um ano do lançamento, com a impressão na modalidade brochura, de papel mais barato.


A última remessa
O que nos leva a minha situação atual. Uma colega sugeriu que eu publicasse "Doce Ardor" na loja da Amazon, e devo dizer que a experiência tem sido boa. Mesmo sendo impresso nos EUA, o livro acaba saindo mais barato, e a qualidade de impressão é muito melhor. E ainda tem versão para Kindle disponível, por apenas R$6,43.

Há alguns dias chegou o último lote que comprei. Minha intenção é disponibilizar para algumas das pessoas lindas que apoiam meu ativismo.
Quem adquirir vai receber uma unidade de Doce Ardor com dedicatória personalizada. São poucas unidades, que estou vendendo pelo valor promocional R$47,00 com frete incluso.

Não é fácil dedicar tempo para manter um blog e um vlog só por ideologia, mas as mensagens das (muitas) pessoas que já ajudei me ajudam a continuar. Só que só as mensagens não pagam as contas... Por isso fiz esta postagem. Eu poderia estar roubando, mas não. Estou aqui tentando vender meus livros no blog. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo e-mail pattykirsche@gmail.com.

Um comentário:

  1. Comecei a ler Doce Ardor na segunda, gostei bastante da história e encerrei a leitura ontem.

    Não quero estragar a surpresa para quem não leu o livro ainda. Mas garanto que a leitura vale a pena.
    Patty criou uma heroína inteligente, curiosa e valentona. Pfeffer não perde uma briga e não mede esforços para atingir seus objetivos.
    A história tem muita ação, personagens bem construídos, cenários e comidas descritos em detalhes, coisas que me prendem em um livro. É uma leitura leve e descontraída, terminei de ler em apenas 5 dias.
    Pontos fortes: o mistério, as personagens femininas bem construídas, a história se passar em São Paulo e várias descrições interessantes e familiares feitas pela autora.
    Em muitos pontos da história Pfeffer se envolve em casos ou cenas em que homens estão abusando ou explorando mulheres e a autora não deixa barato, aproveita as ocasiões para mostrar como homens podem ser violentos e misóginos. Simplesmente adorei como ela utilizou essa estratégia para problematizar várias situações ao longo da história.
    Pontos fracos: como o livro deveria ser uma trilogia, fiquei com a impressão de que em alguns pontos o livro deveria ter terminado (e a história ser continuada em outro volume), acho que desta forma teria dado mais suspense e deixado quem lê o livro mais ansioso pelo próximo volume.
    Apesar de gostar de histórias de vampiros, não me empolguei muito com a inserção de Hades na história, talvez sem ele Pfeffer teria ficado mais interessante.

    Gostei muito do livro e estou recomendando para outras pessoas, pra quem gosta de investigação, suspense, romance e fantasia, é uma história muito legal.

    Patty você escreve muito bem mesmo, te parabenizo por todo o trabalho que você teve para publicar sua história e peço que continue escrevendo, você fez um trabalho ótimo em Doce Ardor, parabéns mesmo!

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