sábado, 21 de novembro de 2015

Céu esta noite

Num certo lugar, não faz muito tempo, nasceu Suçuarana. Seus olhos, ora cinza, ora azuis; seus cabelos, avermelhados ou alaranjados, já queriam dizer o que seus lábios não diziam. Mas, se ela fosse ainda criança, perdoar-lhe-iam, talvez. Ela já é moça. Carrega um par de seios e mágoas. Mágoas do tio que a fez sangrar, mágoas da mãe que fingiu não saber.

Aos dezesseis, Suçuarana fugiu. Levava consigo um broto de lírio amarelo e seus vestidos. Chegando à cidade grande, como se estivesse sem alternativas, conheceu um rapaz e deitou-se com ele. Dessa vez, foi bom; sentindo-se umedecer e gemendo, como se ele a protegesse de tio Francisco, como se fosse sua mulher já. 

Resolveu morar com André, rapaz de loucuras afloradas; cheirava pó branquinho amarelado e bebia sucos ardidos que o deixavam violento e assustador. 

Um certo dia, tio Francisco bateu à porta. Queria levar Suçuarana de volta. André não deixaria. Cortou-lhe a garganta; ele sangrou, morreu. Sangrou como Suçuarana, tão jovem em seus braços, e, assim, homem e mulher fugiram.

Agora André era assassino além de drogado, e a polícia queria fazer maldades com ele e com sua amante, que jamais fora tão feliz até então.

Acontece que, na cidadezinha onde Suçuarana nasceu, havia um namoradinho de amores recém nascidos, Igor, que não queria amá-la e casou-se com Genoveva. Essa última morreu afogada, e Igor quis Suçuarana de novo e mandou Seu Francisco buscá-la. Como Seu Francisco não voltava, Igor foi procurá-la também, e veio para a cidade grande, onde conheceu a violência.

Enquanto isso, Suçuarana e André fugiam da polícia. Assassinavam testemunhas inocentes só por maldade; já estavam acostumados à dor e tratavam todos como tio Francisco e os policiais.   

Igor já era a personificação da revolta e só conseguia pensar em Suçuarana de volta. Perguntava pela ruiva quando avistou uma confusão e notou que eram policiais acinzentados e um casal cercado. Era André e sua amada. 

Um PM pegou sua ruiva como refém e fazia-lhe pequenos cortes para que André se rendesse. Suçuarana gritava: "Salve-se, Dé! Não se preocupe comigo!". Mas André não poderia viver sem Suçuarana e entregou-se à violência da lei. Suçuarana se livrou do homem de bem que a segurava, pegou a arma do sujeito e deu dois tiros em cada um dos polícias. 

Já era tarde. André agonizava os últimos minutos de sua existência. Suçuarana, muito desesperada, chorava e abraçava seu homem em momentos de despedida  trágica. 

Igor veio ajudá-la. Pegaram o corpo de André e o puseram no carro roubado da ruiva. Dirigiram até o quarto de Igor; levaram o cadáver e Suçuarana não sabia o que fazer. Igor já olhava para seu decote com malícia; quase lhe comia as carnes e enternecia de desejo. Começou a consolá-la deslizando as mãos entre suas pernas, escorregando os lábios por sua pele. 

Suçuarana, já ciente de suas intenções, se entregava e sentia os líquidos escorrendo. Por alguns momentos, ela não se lembrava mais de André, seu amor.   

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